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O caos em Lisboa

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Este início do ano letivo, que corresponde também ao final das férias para muitos portugueses, tem sido especialmente penoso para os lisboetas. As obras em várias zonas da cidade, assim como a degradação do serviço público de transportes, tem trazido o desespero e uma fúria resignada a todos os que têm de se deslocar para trabalhar ou fazer qualquer outra coisa na capital. Já se tem ouvido falar dos problemas do metropolitano de Lisboa. Não os entendo bem. Nos últimos anos, havia greves dos trabalhadores do metro semana sim, semana não, alegadamente em defesa de um melhor serviço para os passageiros; e, no entanto, tudo parecia funcionar bastante bem. Agora, a situação é caótica mas não se ouvem protestos. Será que o serviço está melhor? Parece-me bem que não! Não me lembro de chegar à linha azul e ver que o próximo comboio só parte dali a vinte minutos. Esperas de quinze, dezassete minutos tornaram-se vulgares. O resultado é evidente: estações cheias e comboios apinhados. ...

Turismo vs. Vandalismo

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Ontem à tarde, tive de ir à Baixa fazer umas compras. Caminhava sem pressas, a apreciar o sol, que não nos tem brindado muito com a sua presença nestes últimos tempos! Vinha do Rossio para os Restauradores e o meu olhar foi irresistivelmente atraído para o espaço vazio onde, até à semana passada, estava a estátua de D. Sebastião, antes de ser destruída pela vã glória de uma foto. Uma figura relativamente pequena, num nicho entalado entre dois arcos em ferradura, na frontaria da Estação do Rossio. Dois arcos em ferradura, talvez a lembrar-nos do cavalo branco que deveria trazer-nos de volta, numa manhã de nevoeiro, aquele pequeno rei.  Não sou grande admiradora de D. Sebastião. Foi um rei pequeno, na estátua e na História, um rei sonhador e aventureiro, que levou Portugal para uma aventura sem lógica e sem glória, cujo final é de todos conhecido. O jovem Sebastião e os seus sonhos foram o resultado de um determinado contexto político, social, religioso e ideológico, dir-m...

Há coisas mais valiosas do que uma foto

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Vivemos numa época marcada pelo domínio da imagem. Já se dizia que uma imagem vale mais do mil palavras, mas... será que vale mais do que uma vida? Não tenho nada contra a fotografia, pelo contrário, gosto muito de uma boa fotografia. No entanto, penso que há por vezes algum exagero, um uso e abuso da imagem fotográfica. Parece que tudo o que fazemos tem de ser validado por fotografias, partilhadas abundantemente no Twitter, no Facebook, no Instagram. Os jovens, em especial, partilham o que fazem,o que comem, onde vão, frequentemente sem grande precaução com a sua privacidade. Arrisca-se a vida para tirar a fotografia mais original, mais fantástica, que vai fazer furor nas redes sociais. Enfim, é problema deles. Mas, e se prejudica outros? Vem este meu desabafo a propósito de um caso ocorrido num ressort turístico da Argentina, onde um golfinho morreu em consequência do tempo que foi deixado fora de água, exposto ao sol. E porquê? Porque foi passado de mão em mão, para tirar fotog...

As notícias e a felicidade

Ontem foi o Dia Internacional da Felicidade. Não dei muito por isso, tive a felicidade de estar a trabalhar durante o dia inteiro. No entanto, vi as notícias que passavam em rodapé na televisão, à noite, e lá estava a passagem para o regime de mobilidade dos milhares de professores com horário zero. Nos transportes públicos, que são uma espécie de veículo da vox populi, ouvem-se as pessoas a fazerem comentários sobre os professores que estão a receber sem trabalharem. Compreendo essas opiniões, são o resultado da pressão demagógica do sistema político, mas são injustas. A maioria desses professores perdeu o seu horário de trabalho devido à reorganização dos currículos escolares, à formação dos mega agrupamentos, ou, pura e simplesmente, à extinção das disciplinas que lecionavam. I have a dream , disse Martin Luther King. Eu também tive um sonho, pelo qual me bati durante muitos anos: uma escola em que as matérias estruturantes (que não são apenas a matemática e a língua mãe) fossem ...

Dificuldade com as comunicações

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Não, creio que não tenho nem nunca tive dificuldades de comunicação. No entanto, no que diz respeito às telecomunicações, devo ter um problema de incompatibilidade qualquer. Talvez tenha a ver com a fibra ótica! A causa deste desabafo é simples. Mudei de casa e, por estranho que pareça, mais difícil do que mudar os tarecos, trapinhos e caixotes, foi o processo de migração do meu contrato MEO, para a nova morada. Durante mais de quinze dias lutei com a PT para que me fosse instalado o serviço. De início, tudo parecia fácil! Devia ter desconfiado! Por duas vezes me marcaram a instalação, alterei a minha vida profissional para poder estar em casa à hora prevista, e por duas vezes falharam, com as desculpas mais esfarrapadas. Falei com mais de dez técnicos (ou atendedores de call-center, não consegui distinguir), e a única coisa que descobri foi que a PT tem tantos departamentos quanto técnicos (ou atendedores de call-center) e nenhum sabe rigorosamente nada sobre o que disse o outro té...