Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Cultura

Três em um

Imagem
Há muito boas razões para ir, num sábado ou domingo próximo, até à Fundação Calouste Gulbenkian. Desde logo, as duas exposições que aí podemos visitar. A exposição 360º Ciência Descoberta leva-nos numa viagem fascinante pela ciência ibérica no século XVI. Um mergulho numa época em que explorámos novos mundos, descobrindo e dando a conhecer novas terras e novos mares, novas plantas, animais, produtos e culturas, novas estrelas e constelações. Nada por acaso, "indo a acertar", mas fruto de um cuidado planeamento e aturados estudos de astronomia e matemática. Com o cuidado de, mesmo afrontando os ensinamentos universalmente aceites dos antigos, perseguir a verdade, através da observação e da experiência. Saímos da exposição com a noção da importância do contributo português para o desenvolvimento económico e científico. E com a certeza de que a falta de jeito dos portugueses para a matemática é um mito recente! Mais ligado à preguiça de pensar, provavelmente! A outra ex...

Ainda a propósito do Dia Internacional da Felicidade...

Imagem
... encontrei esta parede, num pequeno restaurante junto da estação de Santa Apolónia.

Receita-me um livro?

Imagem
Há algum tempo atrás, José Eduardo Agualusa apresentou-nos a Dona Aurora, uma velha conhecedora de mezinhas e magias, que receitava poesias. Digamos que ela conhecia a magia da poesia! E, para os males do corpo, mas principalmente do espírito, a Dona Aurora receitava poemas, de Camões a Drummond de Andrade, com a respetiva posologia: este era para ser murmurado ao ar livre, outro para ser sussurrado ao ouvido, e por aí fora... Francisco José Viegas relembra-nos Sinouhe, o médico e espião do faraó, (criado por Mika Waltari), cujo pai acreditava nas virtudes terapêuticas das palavras.  Podia continuar a dar exemplos. A verdade é que esta ideia fez o seu caminho e o insuspeito Serviço de Saúde de Inglaterra parece ser o exemplo mais recente. Acaba de criar o programa "Books on Prescription", em parceria com a Reading Agency e a Associação Britânica de Bibliotecários e, a partir do próximo mês de maio, os médicos podem passar uma receita original: a leitura de um livro! ...

Uma cadeira mealheiro

Imagem
Já aqui tenho escrito, muitas vezes, que os portugueses podem ter dificuldades ou falta de competências em muitos domínios, mas nenhum deles é, com certeza, a criatividade e o humor. Prova disso é esta cadeira. Uma cadeira que é também um mealheiro. Uma cadeira que incorpora um serrote: "Serrar em caso de emergência." Uma cadeira anti-crise. Foi concebida por um jovem designer português, Pedro Gomes, que defende que "a criatividade é uma das soluções para a crise." Ele próprio é um exemplo do que é caminhar contra a corrente: numa época em que tantos jovens se vêem obrigados a emigrar, Pedro Gomes voltou a Portugal, depois de trabalhar na Alemanha e nos Estados Unidos da América. Voltou para dinamizar o design nas indústrias portuguesas, para nos fazer repensar os conceitos de crise e de poupança e, acima de tudo, para nos fazer sorrir. O que já é valioso em tempos de crise. Só tenho uma dúvida. Quem precisa de amealhar umas moeditas, terá dinheiro para c...

Um cacilheiro em Veneza

Imagem
Quem mais poderia ter esta ideia, de colocar um cacilheiro no coração da mais aristocrática sede de um império marítimo, senão a nossa Joana Vasconcelos? O cacilheiro é o Trafaria Praia e vai funcionar como "pavilhão flutuante" de Portugal na 55.ª Bienal de Artes Plásticas de Veneza. Neste momento está desativado e a sofrer obras de adaptação no Seixal. Uma das obras que se poderá apreciar, no seu interior, será um painel de azulejos que mostra Lisboa a partir do rio. Haverá também um palco, onde se poderão realizar debates, concertos, exposições. O nosso cacilheiro será rebocado por um cargueiro até Veneza, onde estacionará na zona mais nobre da cidade. Daí, efetuará pequenos percursos, um deles até ao Lido, onde se realiza o Festival de Cinema de Veneza. Poderão dizer o que quiserem de Joana Vasconcelos, gostar ou não dos seus trabalhos, mas numa coisa temos de lhe render homenagem: é uma artista original, com ideias diferentes, arrojadas. Tive o meu primeiro contacto ...

A arte e a dona Cecilia

Imagem
Este ano letivo, tenho uma turma gira, de miúdos interessados e questionadores. No início das aulas, damos sempre uma vista de olhos aos conteúdos curriculares previstos e, ao depararmos com os percursos da arte no século XX - e depois dos comentários habituais, do estilo "Fazem um risco num quadro e dizem que é arte! - um aluno interroga-se: "Mas, afinal, o que é que transforma uma obra numa obra de arte?"  Resolvi pegar na questão, para os pôr a debater e a refletir. Falámos do autor, do nome, do percurso. Da inovação, da intencionalidade, da harmonia, do questionamento. Até que um aluno se lembra do quadro da catedral de Borja, em Espanha, recuperado pela senhora dona Cecilia Jimenez. Foi gargalhada geral! Quem não se lembra do "Ecce Homo", transformado pelas mãos da dona Cecilia num fenómeno de popularidade, que correu pela internet e pelas redes sociais como um virus? Uma aluna lembrou-se: - Eu já vi um quadro de Picasso em que ele alterava um...

Anorexias e obesidades

Imagem
Nos últimos anos, dá-se cada vez mais importância às questões ligadas à nutrição e, provavelmente por causa disso, as palavras e expressões desse domínio extravasaram para outras áreas. Agora que se aproxima o início das aulas, lembrei-me de duas: a anorexia intelectual e a obesidade mental. Em que consistem? A anorexia intelectual é um processo de que todos somos espectadores, passivos, pacientes, às vezes impacientes mas impotentes... Encontramo-la em alguns alunos. Tal como uma jovem anorética tem a comida à sua disposição, mas recusa-se a ingeri-la, chegando a um ponto em que já não é capaz de o fazer, assim o jovem anorético intelectual tem a informação e a cultura ao seu dispôr, mas não a absorve. Não quer, não se interessa, não se concentra o tempo suficiente, as razões são múltiplas. Ao fim de algum tempo, desabitua-se de ler, de pensar, de consumir qualquer produto cultural um pouco mais complexo. Tornou-se um anorético intelectual.  Outros há que consomem muita...

A arte feliz

Imagem
(Éguas de Manada - Dordio Gomes) Poucos acontecimentos houve, tão traumáticos para a civilização europeia, como a 1.ª Guerra Mundial. Pela primeira vez, as pessoas confrontavam-se com uma guerra total, em que os homens eram enviados para a carnificina com a impecável e fria organização logística da era industrial. Já sabemos que a arte reflete e reage à vida. A Estética da Art Déco, que se desenvolve nessa época, é precisamente uma estética de harmonia e felicidade que se integra no movimento modernista e vai evoluindo até à estética classizante dos anos 30 e 40, que tendemos a associar aos regimes autoritários europeus. Em boa hora o Museu do Chiado decidiu organizar uma exposição sobre o Art Déco Português. Não apenas a pintura, mas também o desenho publicitário, a escultura, a cerâmica. Esta exposição mostra mais de cem trabalhos de autores que vão de Almada Negreiros a Abel Manta, de Dordio Gomes a Eduardo Viana, de Canto da Maya a Leopoldo de Almeida. Mais do que uma ...

Música ao Largo

Imagem
Este ano não há férias fora de casa. Estive uns dias fora em maio, talvez vá dar mais uma voltinha, lá para o fim do mês de Agosto... Sem subsídio de férias, no entanto, as férias conntrairam-se. Mas nem por isso fico encerrada em casa, a carpir. Não faz o meu estilo. E, felizmente, Lisboa tem muita coisa interessante para oferecer. (O Largo de São Carlos espera pelos músicos) Neste fim de semana terminou mais uma temporada de espectáculos musicais no Largo de São Carlos. Durante o mês de julho, as noites no Largo foram animadas por concertos, árias de ópera e bailados. Tudo gratuitamente, isto é, financiado pelos mecenas e parceiros do Teatro de São Carlos e da Companhia Nacional de Bailado. O público agradece e desmente aquele mito de não haver interesse por espectáculos mais exigentes em termos culturais. O que não há é outra coisa, aquela com que se compram os amendoins e os melões que refrescam a época. Pelo contrário, as pessoas afluem ao largo, às vezes com horas de an...

Sem Reservas

Imagem
Ultimamente, a minha vida tem andado complicada e nem tenho tido tempo para visitar os blogues dos amigos. E vou mesmo ter de fazer uma pausa. Prometo voltar, claro! Mas, entretanto, deixo os visitantes que por aqui passarem, na minha ausência, muito bem acompanhados: deixo-os com a música dos Dead Combo, um duo de guitarristas portugueses. Começaram com a música de Carlos Paredes, hoje produzem uma música muito interessante e atual, embora mantendo a portugalidade nas raízes. Hoje em dia, os Dead Combo conseguiram uma proeza notável: um lugar entre os dez mais vendidos no Top do iTunes dos Estados Unidos da América. Como é que eles conseguiram isso? Fazendo a maior parte da banda sonora do programa "No Reservations" de Anthony Bourdain, filmado em Lisboa. É um programa extraordinário, em que o apresentador e gastrónomo deambula por Lisboa, pelos sabores e pela cultura lisboeta, guiado por "especialistas" como os chefs José Avilez e Henrique Sá Pessoa, António Lo...

Dia dos Livros

Imagem
  A educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo. (Nelson Mandela) No dia 23 de abril de 1564,  nasceu William Shakespeare. A 23 de Abril de 1616, faleceram Shakespeare e Cervantes. E, sabe-se lá porquê, outros escritores escolheram esta data para nascer ou para morrer, como Garcilaso de Vega, Maurice Druon ou Vladimir Nabokov. Por isso, a UNESCO escolheu esta data para Dia Mundial do Livro. É um bom pretexto para homenagear os que escrevem e motivar os que lêem. Toda a minha vida vivi rodeada de livros, amigos ou refúgios de todas as horas. Moldaram muito do que penso e sou. Aproveitando a data, deixo uma sugestão: oferecer um livro! Há-os para todos os gostos e de todos os preços. E depois, aproveitar aquela hora sossegada, do deitar, ou do descanso após o almoço, e ler com as crianças. É na infância que se cria o gosto pelas letras. É a época dos sonhos, e os livros ajudam-nos a sonhar. Mas também nos ajudam a compreender o mundo e a estru...

Alguém viu a princesa da Tailândia?

Imagem
É que eu não consegui ver. Fiz zapping por todos os telejornais e, talvez por pouca sorte minha, só apanhei as notícias do costume, que se repartem, de modo idêntico, entre a crise e o futebol. Poderá ter havido alguma reportagem,  mas pequenina, envergonhada, despercebida. Parece-me que a nossa comunicação social não percebeu bem a importância da oferta tailandesa a Portugal, a prova de respeito e amizade que, cruzando o tempo, pode constituir-se numa relação privilegiada. Mas não foi só a comunicação social. O nosso Presidente da República também não se dignou aparecer, sendo representado pela primeira-dama e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas. Quem só entende a linguagem dos números não percebe como a linguagem dos afetos pode ser importante na própria economia. Felizmente, há quem perceba. D. Duarte de Bragança esteve presente, numa representação suprapartidária e intemporal do povo que há cinco séculos se ligou ao povo tailandês. Transcrevo as palavras se...

Castelos no Ar

Imagem
(Castelo de Beja, com a sua bela Torre de Menagem) Gosto de Castelos. Há quem diga que eu passo a vida a fazer castelos no ar, a cabeça nas nuvens, envolta em sonhos e planos mais ou menos realizáveis. Mas, quando escrevi “gosto de castelos”, referia-me mesmo aos castelos de pedra e madeira, a esses símbolos de outras épocas, aos quais já quase nem prestamos atenção, de tão vulgares que são na nossa paisagem. Por isso, o nosso humorista Herman José, quando se referia a uma povoação portuguesa, acrescentava sempre “…com o seu castelo altaneiro!” Portugal tem, realmente, uma densidade enorme destes monumentos, das maiores da Europa. O que diz bem da nossa situação de fronteira, de territórios permanentemente ameaçados, ou em disputa. No sul do nosso país, lembram-nos a instável linha de fronteira com o Al-Andaluz muçulmano; na zona da raia, a necessidade de defesa em relação ao poderoso inimigo castelhano. Todos juntos, ajudam a perceber porque é que Portugal é o país com fronteiras def...

Modesta homenagem a Saramago

Imagem
Era um homem de convicções fortes e gostava de polémicas. Podiamos não estar de acordo com ele, podiamos achar que, por vezes, raiava os limites da inconveniência. Podiamos entrar no jogo e perder tempo a discutir pormenores das suas opiniões, sobre a Bíblia, ou a união de Portugal com Espanha, ou qualquer outro assunto. Ou podiamos simplesmente abrir um livro e deixarmo-nos conduzir pela sua escrita, original e inebriante. Eu sempre optei pela segunda opção. Amei a escrita de Saramago desde as suas primeiras obras, que conheci durante os anos 80: "Levantado do Chão", "O ano da morte de Ricardo Reis", "A história do Cerco de Lisboa", "As intermitências da morte", são livros que guardo no coração, e que gosto ainda de reler. Há quem goste e refira outros, mais conhecidos. Há quem fale bem ou mal, sem nunca lhe ter lido uma linha.  " Quer que chame um táxi para a levar ao hotel, e a mulher respondeu, Não, ficarei contigo, e ofereceu-lhe a boc...

Book - O que é isto?

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Não há data melhor para celebrar o Conhecimento e o papel da imprensa na divulgação desse Conhecimento.  Através do programa "Memória do Mundo", a UNESCO tem promovido a identificação e preservação de documentos e arquivos de grande valor histórico, assegurando a sua ampla disseminação. Entre eles contam-se, por exemplo, o original da 9ª sinfonia de Beethoven, a Bíblia de Guthenberg ou a Carta de Pêro Vaz de Caminha (o primeiro bem português inscrito no programa). Aproveitando a data, a autora do blogue Marcas de Água propôs a postagem simultânea deste video. O Carlos, das Conversas Daqui e Dali divulgou a ideia e eu aderi. Quem quer aderir também? Este video provoca-nos, ao mostrar-nos uma incrível novidade científica, o dispositivo bio-óptico de conhecimento organizado. Vale mesmo a pena ver! (Atendendo às reclamações, postei aqui outro video, de formato mais reduzido, com a vantagem de ser legendado em português...

A velha fábrica de arroz

Imagem
Q uem disse que fora da zona de Lisboa não havia iniciativas culturais interessantes? Bem, eu já tenho dito, por vezes. Mas, desta vez, venho falar de uma iniciativa que me pareceu muito interessante e à qual vou estar atenta. Em Ponte de Sôr, no Alentejo, a meio caminho entre o litoral e a fronteira espanhola, havia uma antiga fábrica de arroz, que ocupava vários pavilhões e que estava há muito tempo desactivada. Foi recuperada e, depois de alguns contratempos, reabriu como um Centro de Artes e Cultura. Assume-se como um espaço multidisciplinar de âmbito cultural que, por isso mesmo, integra  várias instituições, desde a Fundação das Casas de Fronteira e Alorna até ao Festival Sete Sóis Sete Luas, que abrange parceiros culturais de vários países da Europa. Também tem um Serviço Educativo, claro, que coordena actividades para as crianças do concelho. Mas, muito mais interessante, alberga um Teatro, o Teatro da Terra, que revitalizou o velho Cine-Teatro da cidade. O Centro conta...