Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Divagações

O Hojismo

Imagem
Já todos fomos crianças. Viviamos a achar que o futuro é que era bom! "Ah! Quando eu tiver 12 anos... Quando chegar aos 15, já posso sair à noite..." Imaginavamo-nos com 18 anos, crescidos, lindos, cheios de coisas interessantes para fazer! As crianças são os campeões do amanhãzismo . Projetam-se no futuro, confiantes de que ele lhes vai trazer tudo o que antecipam nos seus sonhos. Depois, o tempo vai passando, invariavelmente. À medida que envelhecemos, começamos a olhar para trás, a reviver com nostalgia os tempos da infância e da juventude. Gostamos de contar e recontar as mesmas histórias, às vezes retocadas pelo tempo. Mas este ontemzismo  não é monopólio dos idosos. Conheço muita gente mais nova que vive mergulhada num passado qualquer, numa época dourada, blindada ao presente pelos esplendores do passado. E também os há que vivem projetados no futuro, muito depois de terem passado a infância. Esquecem-se de viver o dia a dia, mergulhados em responsabilidades prof...

O que pensamos vs. o que dizemos!

Imagem
Por muito que nos consideremos honestos, francos, sinceros, há sempre ocasiões em que aquilo que dizemos não reflete aquilo que estamos a pensar no momento. Geralmente, nem é por maldade, antes pelo contrário, pode ser por comiseração, piedade, enfado... Imaginemos aquela situação confrangedora em que uma amiga nos diz, com ar triste: "Estou um pote! Engordei imenso este inverno!" Qualquer pessoa tende a consolá-la, com um "Não, que ideia! Ganhaste uns quilinhos, nada que uns dias de dieta não curem!" Isto apesar de acharmos que não deve ter, lá em casa, um bikini que lhe sirva! Também pode acontecer que vamos com a mesma amiga às compras e, depois de a vermos a provar quarenta e sete pares de calças, já damos por nós a afirmar com o nosso ar mais convicto, embora sem sinceridade nenhuma: "Leva essas, ficam-te lindamente!" Há também aquelas pessoas que não suportam não saber seja o que for. Se alguém fala de um filme de Tarantino, ou do prémio atribuí...

A minha proposta para a reforma do Estado

Imagem
Muito se tem falado ultimamente de reforma do Estado. No meio da retórica da reforma e das medidas que vão surgindo, apercebi-me de que essas medidas têm caído quase exclusivamente sobre os funcionários da Função Pública. Estou certa de que isso só acontece por falta de imaginação. Por isso, decidi dar o meu contributo. E, porque todos concordamos que o exemplos devem começar pelo topo, a minha proposta debruça-se sobre a Presidência da República. Pensando em termos de poupança económica, proponho uma alteração na idade mínima para um cidadão se candidatar ao mais alto cargo da Nação. Os 75 anos parecem-me uma idade razoável, por várias razões. Em primeiro lugar, vai ao encontro do aumento da esperança média de vida, que tem servido de argumento para o aumento da idade da reforma dos comuns mortais. Em segundo lugar, diminuía claramente, e por razões óbvias, os gastos a que os nossos presidentes continuam a submeter os contribuintes após a sua saída do cargo. O espírito repu...

O regresso ao sestércio

Imagem
  Como sempre, a literatura antecipa e lidera a realidade. Quatro escritores do sul da Europa decidiram reunir-se num debate no Parlamento Europeu, organizando-se enquanto grupo regional. Parece-me uma ideia interessante, precursora... Acho até que devíamos fazer o mesmo em termos políticos, talvez avançar para uma União dos Povos do Sul da Europa, os países do arco mediterrânico. Admito que fiquei boquiaberta quando um alto dirigente alemão declarou que os habitantes do sul europeu tinham inveja da Alemanha! Não compreendo como se pode ter inveja de um povo que se alimenta de sauerkraut! Que, de quando em vez, tem assomos de superioridade patriótica com maus resultados em toda a Europa! Ou que, simplesmente, não tem sentido de humor! Acho, portanto, que devíamos puxar do nosso orgulho e proclamar uma Confederação dos Países do Sul. Uma espécie de Grito do Ipiranga, mas gritado das margens de um dos rios que corre para o Mediterrâneo. Temos alguns pergaminhos, cá no sul!...

Fumos e neve

Imagem
Hoje saiu fumo branco da chaminé da Capela Sistina. Creio que também saiu fumo (não sei de que cores!) da minha cabeça, quando acabei de corrigir os últimos testes deste segundo período letivo. Os meus neurónios ficaram entupidos de erros avulsos sobre a cultura grega ou as ditaduras dos anos 30. Tão entupidos que tenho a certeza que também soltaram algum fumo! Não houve milhões de pessoas a assistir ou a aplaudir, mas foi a minha pequena vitória. A partir de amanhã, a guerra é outra: avaliações, grelhas, planos, registos diversos (e todos mais ou menos igualmente inúteis!). Mas, para já, preciso de poesia, palavras que me lavem o espírito. Hoje, é dia de Alberto Caeiro... A Neve A NEVE PÔS uma toalha calada sobre tudo.  Não se sente senão o que se passa dentro de casa.  Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.  Sinto um gozo de animal e vagamente penso,  E adormeço sem menos utilidade que todas as ações do mundo.  Alberto Caeiro, in "Poema...

Ontem, num semáforo...

Imagem
Ontem, parei num semáforo numa avenida muito concorrida de Lisboa. Pelo canto do olho, reparei num homem que, no separador central, empunhava um cartão com frases escritas. Confesso que não liguei muito, estamos habituados a ver gente a pedir, com as mais variadas estratégias. Por vezes, até já encolhemos os ombros, percebemos que o dinheiro que se pede é para alimentar o vício.  Mas houve qualquer coisa que me fez olhar duas vezes. Aquele cartão era diferente, era um murro no estômago. Consegui ler: "Aceito qualquer trabalho. Tenho dois filhos para alimentar". Lembrei-me de cartazes idênticos da época da Grande Depressão, dos anos 30. As imagens de pobreza, desolação, desespero, que associamos a essa crise, vieram-me à memória. Aprendemos que as crises são cíclicas. Mas as pessoas existem aqui e agora.  O sinal verde acendeu-se e eu afastei-me do homem e do seu cartaz. Na minha memória apareceu outro cartaz da época da Grande Depressão, que reclamava: "Somos cidadã...

A Caixa de Dormir

Imagem
Dizia-me uma amiga, a propósito do post sobre o programa "Portugueses pelo Mundo", que gostava tanto de viajar que lhe apetecia saltar de aeroporto em aeroporto. Ora bem, eu não gosto muito de aeroportos, como já expliquei aqui . Acho que a principal razão é o imenso tédio que se apodera de mim durante as escalas de voo, aqueles tempos intermináveis em que esperamos por um qualquer voo de ligação para qualquer lado e, seja qual for o local do mundo em que calhemos estar, olhamos à volta e vemos as mesmas lojas, das mesmas cadeias internacionais, que já vimos noutro lado qualquer que não recordamos! Tempos de espera, em que só nos apetecia estar em casa, a ler, a ver televisão, a consultar a internet, enfim, a fazer as coisas que fazemos todos os dias. Pois bem, para tornar mais confortável esse tempo de espera, apareceram as "sleepbox", que eu traduzi livremente por "caixas de dormir". Não são mais do que isso, caixas com o tamanho suficiente para uma c...

Um ano depois...

Imagem
Faz hoje um ano que a Troika entrou em Portugal.  E, no entanto, as árvores da minha rua voltaram a florir. Tirei esta fotografia há um ano atrás. Entretanto, a nossa vida coletiva sofreu um verdadeiro tsunami, e o nosso estilo de vida mudou, provavelmente de forma irreversível. Mas as árvores continuam a florir e hoje reparei que estão como há um ano atrás. A vida continua sempre o seu caminho.

Slowdown!

Imagem
Às vezes, há comentários que merecem transformar-se num post! É o que acontece com este comentário à questão do Slow Blog, que acaba por transformar-se numa verdadeira apologia do Vagar!  Então, boa Páscoa! Com muita calma! (A Música é para acompanhar a leitura do texto!) "A ideia é porreira mas pouco original... ainda que não aplicada à cena de “blogar” ou “postar” (termos aliás pouco simpáticos para com a nossa lusa linguagem)... Refiro-me por exemplo aos  slows  do tempo dos liceus... o que eu gostava mesmo era dos  slows , era capaz de dançar os 7 min e 45 seg do “Us and Them” sem tirar os pés do chão, nem sair de um círculo de 50 cm... qual  shake  qual quê!  slows  era que era bom... Mas há mais, sobretudo o conceito  slowdown  (não, não me refiro ao  bar  em Omaha no coração dos  States )... mas ao conceito bastante importante nos dias de hoje... tipo... - Esta blogueira (passo a expressão) está ...

Dias disto e daquilo...

Imagem
Como toda a gente que me conhece já sabe, não sou grande adepta de dias disto e daquilo. Sim, eu sei que servem para chamar a atenção para certos problemas ou situações de discriminação, mas na maioria das vezes parece-me que a única coisa que está por trás desses dias é uma grande pressão consumista. No entanto, não me tinha apercebido da dimensão que este fenómeno atinge. Até ontem... Ontem, quando fazia uma pesquisa na internet, deparei-me com dados que desconhecia e me espantaram. Alguém imagina quantas efemérides se comemoram em Portugal? Nada mais nada menos do que 354, quase uma para cada dia. Mas se há alguns dias sem efeméride, há outros muito cheios. A 21 de Março, por exemplo, celebra-se a Poesia, a Eliminação da Discriminação Racial, a Floresta, o Sono, a Marioneta, a Síndrome de Down e a Árvore. Há todo o tipo de efemérides e eventos comemorativos. Do estudante ao professor, das zonas húmidas aos castelos, do ovo ao sorriso, há dias para todos os gostos, passando por t...

Cigarros, chocolates e cigarros de chocolate

Imagem
Hoje fui a uma loja especializada na venda de produtos feitos de chocolate, para comprar moedas de chocolate. À saída, vi numa caixa uns pacotinhos que se pareciam mesmo com maços de tabaco. E perguntei à vendedora: "São cigarros de chocolate?" A rapariga, muito simpática, explicou-me que não, que já não havia esse produto há cerca de dois anos, que inclusivamente podiam pagar multa se fizessem e comercializassem produtos com o feitio de cigarros, charutos ou qualquer coisas que fosse fumável. Para evitar o quê? O vício? Trocámos ali umas opiniões, saltaram logo as recordações, juntaram-se mais duas pessoas. Todos tinhamos consumido furiosamente cigarros de chocolate na infância. "Lembro-me de os comprar na taberna lá da terra, o meu pai dava-me umas moeditas..." . "Eu até coleccionava os pacotinhos com as marcas!" Afinal, nenhum de nós fumava, pelo que o efeito pernicioso dos cigarrinhos de chocolate não tinha tido efeito em nenhum de nós! A vendedora até...

Não quero ser Touro!

Imagem
Eu sei que sou distraída. Por isso, provavelmente, só neste fim-de-semana me dei conta de que os signos tinham sido mudados. Assim, de repente! Foi um choque para mim, como provavelmente para milhões de outros seres humanos por esse mundo fora.  Segundo parece, os astrónomos do Minnesota Planetarium Society divulgaram o que já se comentava em voz baixa há muito tempo: os antigos astrónomos da Babilónia basearam os signos na constelação na qual o Sol se encontrava na data do nascimento. Mas, ao longo dos milénios, a força gravitacional da Terra alterou o seu eixo o suficiente para originar uma diferença de quase um mês no alinhamento dos signos. Mais ainda: por qualquer razão, quem sabe uma birra, definiram só doze signos, quando deviam ser treze. E agora, para repor a verdade científica, há que redefinir o calendário do Zodíaco. Pois, muito bonito! Considerações científicas àparte, há outras implicações e consequências igualmente pertinentes! O que fazer agora agora das medalhinhas...

Mar

Imagem
Gosto do mar. O mar tem sobre mim um efeito tranquilizador, dormente, quase hipnótico. O mar bate nas pedras, rodopia, atira-se sobre a areia, sempre igual e sempre diferente. Sou capaz de ficar a olhá-lo e a ouvi-lo tempos sem fim. Como se tivesse um segredo sempre novo para me contar. Como se me cantasse uma melodia, sempre diferente, embora composta sempre com as mesmas notas. Sempre... Sempre... O mar junto ao Cabo Raso, em Cascais (Fotografias de FAires)