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A mostrar mensagens com a etiqueta Reflexões políticamente incorretas

A minha liberdade condicional

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Eu não sabia, mas cometi um crime: estou doente. Desenvolvi uma tendinite no ombro direito que me tem dado muito que fazer! Depois de meses a tentar conciliar as aulas com os tratamentos, a correr para não deixar nada para trás, a dormir mal com as dores e com a ansiedade, a minha médica disse: Basta! E pôs-me de baixa. Veredito: braço em repouso e fisioterapia, de preferência, diária. A baixa médica transformou-me logo num suspeito, aos olhos do Estado. A nossa elite legisladora, que sabe bem como contorna a lei quando lhe dá jeito, julga-nos a todos pelo seu próprio exemplo. Daí a suspeição! Eu podia utilizar a pequena fortuna com que o Estado me remunera mensalmente (especialmente em situação de baixa) para, por exemplo, ir apanhar sol para a República Dominicana, ou, pelo menos, para deambular pelos centros comerciais, a comprar as prendas de Natal... Sendo suspeita de defraudar o meu empregador, sou sujeita a uma medida de coacção: termo de identificação e residência. Medida...

Outra vez 10 de junho...

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Quem me conhece, sabe que não morro de amores por este feriado, muito pelo contrário! Já aqui escrevi sobre isso, há dois anos atrás. Enfim, é feriado... e isso sabe sempre bem! Este ano, no entanto, há aspetos diferentes. Se, por um lado, as comemorações se centraram nos desfiles militares no Terreiro do Paço, a fazerem lembrar as comemorações de antigamente, por outro lado, abriram-se de novo ao povo português, e isso agradou-me muito. Gostei de saber que os condecorados deste ano eram pessoas comuns que se tinham distinguido ao serviço dos outros, sejam militares sejam civis, como as porteiras de Paris, que ajudaram desinteressadamente todos os que lhes apareceram à porta, naquela noite terrível de atentados. Nunca aderi àquelas condecorações maciças de jovens (ou menos jovens) empreendedores. Nada tenho contra os empreendedores, sejam eles estilistas ou empresários industriais. Agem para o seu próprio lucro e benefício, no que fazem muito bem! Mas... condecorados, porquê? T...

Turismo vs. Vandalismo

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Ontem à tarde, tive de ir à Baixa fazer umas compras. Caminhava sem pressas, a apreciar o sol, que não nos tem brindado muito com a sua presença nestes últimos tempos! Vinha do Rossio para os Restauradores e o meu olhar foi irresistivelmente atraído para o espaço vazio onde, até à semana passada, estava a estátua de D. Sebastião, antes de ser destruída pela vã glória de uma foto. Uma figura relativamente pequena, num nicho entalado entre dois arcos em ferradura, na frontaria da Estação do Rossio. Dois arcos em ferradura, talvez a lembrar-nos do cavalo branco que deveria trazer-nos de volta, numa manhã de nevoeiro, aquele pequeno rei.  Não sou grande admiradora de D. Sebastião. Foi um rei pequeno, na estátua e na História, um rei sonhador e aventureiro, que levou Portugal para uma aventura sem lógica e sem glória, cujo final é de todos conhecido. O jovem Sebastião e os seus sonhos foram o resultado de um determinado contexto político, social, religioso e ideológico, dir-m...

O novo nome do velho aeroporto

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O velho aeroporto da Portela tem novo nome: Aeroporto Humberto Delgado. Ficámos a saber ontem, de repente, sem aviso prévio, sem debate na opinião pública. Lembro-me que, quando da construção da nova ponte sobre o Tejo, houve uma discussão alargada acerca do nome que devia ser dado ao novo equipamento da cidade de Lisboa. Vasco da Gama foi consensual, também ele lançou pontes entre os continentes e era um nome sobejamente conhecido, tanto nacional como internacionalmente. Agora, se pareceu repentinamente importante batizar o velho aeroporto, também teria sido agradável que o nome tivesse surgido de uma  auscultação da sociedade civil. Eu afirmo desde já que teria tido algumas boas ideias. Por exemplo, Camões! Um nome curto, reconhecido por qualquer turista, o nome de um vulto cimeiro das nossas letras. Um nome que não precisa de apresentações! Ou, melhor ideia ainda, Gago Coutinho! O nosso aviador que, nos inícios do século XX, cruzou pela primeira vez o Atlântico Sul! Essa seri...

O professor do ano

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Fim de ano, início de ano... épocas de balanço! Daqui a pouco começamos a ouvir notícias sobre os Óscares, os Emmys e... o professor do ano! Este prémio começou a ser atribuído em 2007, e o primeiro professor a ser agraciado com o título e o montante pecuniário respetivo foi Arsélio Martins, pai da nossa estimada deputada Catarina Martins. Digo desde já que não simpatizo com este prémio. Nem me parecem muito fiáveis os seus critérios de atribuição. O que faz um bom professor? O número de vezes que falta ou não falta? Os projetos que dinamiza? As visitas que faz com os seus alunos? Se cumpre ou não os programas escolares? O que é que torna um professor importante na vida dos seus alunos? Será algum fator que possa ser medido, ou mesmo avaliado por quem está do lado de fora da sala de aula? Li alguns artigos sobre os professores agraciados ao longo destes anos. Falavam em carinho e empenhamento. Como se isso se medisse facilmente!... Noutro caso, o repórter dizia que o professor pre...

As greves natalícias

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Quando se aproxima o Natal, tão regular como o trenó do Pai Natal, chega uma greve natalícia. Às vezes, é a recolha do lixo. Outras vezes, são os transportes urbanos ou a CP. A verdade é que há sempre um sindicato qualquer que acha uma boa ideia marcar uma greve para este período do ano, de especial sensibilidade, em que as famílias se tentam reunir e conviver. Neste Natal, para não variar, foi a CP. Independentemente das razões que lhe assistem (e que já ninguém discute nem recorda, tantas já foram as greves!), o sindicato respetivo marcou uma greve para o próprio dia de Natal. Parece-me até acintoso... São as pessoas com menos possibilidades económicas que se deslocam de comboio, nestas alturas; os que mais podem, utilizam o automóvel. Como é possível que sindicatos ligados a partidos de esquerda demonstrem tamanha insensibilidade social?  As televisões passaram em rodapé que o sindicato anunciou uma adesão de 20% à paralização (o que nos leva a poder garantir que foi bastan...

Viver sem primeira-dama

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Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República Parece inevitável: ganhe quem ganhar nas próximas eleições presidenciais, não teremos em Belém uma primeira-dama. Considerando os principais candidatos, é esse o cenário. Marcelo Rebelo de Sousa é divorciado e vive com uma senhora que não tem a mínima intenção de deixar a sua profissão para o acompanhar. O mesmo se passa com Sampaio da Nóvoa, embora casado. Maria de Belém é casada, mas quanto muito o marido poderá representar o papel de primeiro-cavalheiro, ou outro título assim. E eu acho isso bastante refrescante. Vamos lá pôr as ideias no lugar. Numa monarquia, toda a família real tem um papel a representar. Um papel institucional e simbólico. Mas nós vivemos numa república e parece lógico que a eleição para um cargo não abranja a família toda. As funções do Presidente da República são desempenhadas por ele próprio, vamos deixar de as enfeitar com o simbolismo monárquico.  Já agora, vamos também relembrar...