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A minha liberdade condicional

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Eu não sabia, mas cometi um crime: estou doente. Desenvolvi uma tendinite no ombro direito que me tem dado muito que fazer! Depois de meses a tentar conciliar as aulas com os tratamentos, a correr para não deixar nada para trás, a dormir mal com as dores e com a ansiedade, a minha médica disse: Basta! E pôs-me de baixa. Veredito: braço em repouso e fisioterapia, de preferência, diária. A baixa médica transformou-me logo num suspeito, aos olhos do Estado. A nossa elite legisladora, que sabe bem como contorna a lei quando lhe dá jeito, julga-nos a todos pelo seu próprio exemplo. Daí a suspeição! Eu podia utilizar a pequena fortuna com que o Estado me remunera mensalmente (especialmente em situação de baixa) para, por exemplo, ir apanhar sol para a República Dominicana, ou, pelo menos, para deambular pelos centros comerciais, a comprar as prendas de Natal... Sendo suspeita de defraudar o meu empregador, sou sujeita a uma medida de coacção: termo de identificação e residência. Medida...

Amadeo de Souza Cardoso, o modernista esquecido

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Amadeo em Paris Em boa hora vai realizar-se em Paris, no Grand Palais, uma grande exposição que reúne e divulga a obra de Amadeo de Souza Cardoso.  Como portuguesa e frequentadora do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, a obra de Amadeu sempre me foi familiar. Lembro-me também de uma grande exposição que a Gulbenkian organizou, aqui há anos, com a retrospetiva do pintor, e que foi um tremendo sucesso. Mas fora de Portugal o seu nome é quase desconhecido e isso é uma enorme injustiça. Entrada Esta semana, foi a anteestreia do filme/documentário Amadeo Souza Cardoso, o segredo mais bem guardado da arte moderna. Realizado pelo francês luso-descendente Cristophe Fonseca, mostra-nos o percurso do pintor, desde a sua infância minhota, até à sua morte precoce, em 1918. E permite compreender melhor a dimensão da sua obra e as razões do seu esquecimento. Através da tela, seguimos o autor para Paris, onde conhece e se torna amigo de alguns dos grandes nom...

Viver sem primeira-dama

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Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República Parece inevitável: ganhe quem ganhar nas próximas eleições presidenciais, não teremos em Belém uma primeira-dama. Considerando os principais candidatos, é esse o cenário. Marcelo Rebelo de Sousa é divorciado e vive com uma senhora que não tem a mínima intenção de deixar a sua profissão para o acompanhar. O mesmo se passa com Sampaio da Nóvoa, embora casado. Maria de Belém é casada, mas quanto muito o marido poderá representar o papel de primeiro-cavalheiro, ou outro título assim. E eu acho isso bastante refrescante. Vamos lá pôr as ideias no lugar. Numa monarquia, toda a família real tem um papel a representar. Um papel institucional e simbólico. Mas nós vivemos numa república e parece lógico que a eleição para um cargo não abranja a família toda. As funções do Presidente da República são desempenhadas por ele próprio, vamos deixar de as enfeitar com o simbolismo monárquico.  Já agora, vamos também relembrar...

Fredo Mergner

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De origem húngara, veio para Portugal em 1977, com 24 anos. Era um exímio guitarrista e, numa rápida pesquisa pela internet, facilmente encontramos músicos que falam de Fredo Mergner como uma referência, alguém que ouviram e que se tornou uma influência marcante na forma como tocava a guitarra clássica. Integrou vários projetos. O mais conhecido foi o projeto "Resistência", onde tocava com músicos como Pedro Ayres Magalhães, Fernando Cunha, Tim. Ainda no último concerto da banda, no Campo Pequeno, subiu ao palco com a sua guitarra. No sábado passado, encontrei-o nas Escadinhas do Duque, em Lisboa, a tocar guitarra. Rodeado por pessoas que o ouviam, encantadas, sem provavelmente o reconhecerem. Gostei muito de o ouvir, mas... ficam muitas perguntas por responder. O que faz Fredo Mergner tocar numa rua de Lisboa, num frio fim de tarde de fevereiro? Toca porque lhe apetece? Toca para sobreviver? Diz Fredo: "Fiz a minha evolução em Portugal. As minhas influências, rec...

Seguindo os rebanhos

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Desde tempos imemoriais, os pastores do interior de Portugal subiam à Serra da Estrela no início do verão, para procurar as melhores pastagens. Quando os tempos frios se avizinhavam, voltavam a descer a serra, fazendo os mesmos precursos em sentido contrário. A este movimento pendular chama-se transumância. Gosto desta palavra. Etimologicamente, advém da junção do radical trans , que significa para além , com a palavra humus , terra. Isto é, designa o movimento que leva para lá da terra, cruzando culturas e experiências à cadência da passagem dos rebanhos. Neste fim de semana, foi recriada a Grande Rota da Transumância, entre Seia e as pastagens na zona do Sabugueiro. E nós fomos convidados a seguir os rebanhos pela serra acima, por caminhos seculares. O momento é de festa. Cada rebanho é conduzido pelos seus pastores, vestidos a rigor. Os bodes e os carneiros são enfeitados com bolas de lã coloridas e com grandes chocalhos, que se fazem ouvir a distância. Nas aldeias, as pesso...

Peste grisalha?

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Li este artigo   aqui há dias e não me consigo esquecer dele. Pelas piores razões!  A minha primeira reação foi de incredulidade! Alguém escrevia um artigo sobre o nosso problema demográfico mais complicado e ameaçador, o envelhecimento da população. Sim, já todos sabemos que ele existe, há que tomar consciência e tomar medidas. Há algumas conhecidas, chamam-se políticas natalistas! Mas todos concordamos que é um problema de difícil resolução, comum a todos os países ditos desenvolvidos. O que, no entanto, não me parece nada adequada é a forma da abordagem. A começar pela linguagem, que é um veículo delicado. A escolha das palavras não é inocente, pressupõe uma determinada atitude. E, quando se utilizam palavras como "peste", "contaminada", "tragédia", parece que se considera o aumento da esperança média de vida como uma gripe, ou um problema de saúde pública. Nas culturas ditas pouco desenvolvidas, os anciãos são respeitados e venerados, como uma...

Justiça divina para o século XXI

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Aqui há dias, falou-se de Deus no autocarro. Não daquela forma douta e piedosa dos círculos de estudos bíblicos, onde se desfolham evangelhos e versículos, mas da maneira simples como as pessoas também simples se agarram a uma tábua de salvação. Passo a explicar. O autocarro passava junto à porta de um ministério, na zona do Terreiro do Paço. Uma mulher, com olhos de bolsos vazios, lançou o primeiro lamento: "Cambada de ladrões! Deus há-de os castigar!" Não foi preciso mais. Ergueu-se imediatamente um coro concordante. - Só vão para o governo para se encherem, à nossa custa! - Eu trabalhei a vida toda, desde os onze anos. Eles sabem lá o que isso é! - Dizem que gastamos demais. Nós? E eles? - Estudam e depois usam os estudos para vigarizarem toda a gente! - Mas Deus vai castigá-los! Hão-de arder no fogo do inferno! Um senhor bem posto, de fato e gravata e pasta na mão, interrompeu o coro. - Então, vamos ter de esperar pela justiça divina? E se começassemos ...

Os culpados de qualquer coisa

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Andar de autocarro é sempre uma experiência pedagógica e edificante. Aqui há dias, meti-me num autocarro (por acaso, nem era o que eu queria, veja-se o que é o destino!) que foi dar uma grande volta até chegar à paragem onde eu precisava de sair. Percebi logo o engano, mas resignei-me e acomodei-me junto a uma janela. Umas paragens à frente, entraram duas miudinhas da escolas. Cerca de dez anos, mochilas à costas. Caminhavam para a parte de trás quando, a um solavanco do autocarro, uma delas caiu sobre a perna de um homem idoso que vinha sentado, acompanhado de uma senhora também de bastante idade. O homem começou a barafustar, zurzindo a rapariguinha com todas as ofensas, desde desastrada a desrespeitadora dos mais velhos. A miúda só disse: "Desculpe, desequilibrei-me!" e não respondeu mais. Mas umas raparigas mais velhas tomaram a sua defesa, acusando o velhote de ser insensível. Uma acusou-o mesmo de ser racista e de atacar a miúda por ter aspeto de cigana. O homem ofen...

As mulheres, a justiça e o resto...

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Foi nomeada uma nova Procuradora Geral para a República, Joana Marques Vidal. Depois de anos de pachorrenta inércia, espero que esta senhora consiga voltar a dar aos portugueses razões para acreditarem na justiça para todos, independentemente da sua riqueza, posição social ou influência política. A Procuradora Joana Marques Vidal tem um currículo promissor.  Especializada na área de Direitos da Família e Menores, a procuradora é desde 2010 presidente da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima. Mas, perdoem-me, fico feliz por ser uma mulher a obter, pela primeira vez, esse cargo cimeiro. As mulheres fizeram um largo caminho em Portugal, nos últimos cinquenta anos. Numa geração, as mulheres passaram de quase analfabetas ao maior grupo de licenciados no país. No entanto, as desigualdades de género persistem. As mulheres, em geral, ganham menos do que os homens, e não ocupam cargos de chefia em consonância com o seu peso nas diversas profissões. Da área da investigação aos orgão...

A moda da bifana

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Aqui há uns tempos, o gastrónomo e viajante americano Anthony Bourdain fez um programa em Lisboa. Até escrevi sobre isso aqui. Durante a sua estadia na capital, provou bifanas. Achou "awesome"! Repetiu e lembeu-se com as nossas bifaninhas. Teria sido por isso? A verdade é que a bifana virou moda, virou mania, virou franschising.  De repente, começaram a aparecer nos centros comerciais, revestidas de condimentos, mostarda, molho de alho, chutney de manga. Uma casa alentejana lançou a moda, quando lançou o franschising . A McDonald's foi a última a render-se à bifana, mas aí está a McBifana anunciada em todos os cartazes! Segundo li, em dia de jogo do Benfica, a Casa Original do Centro Comercial Colombo vendeu mais de mil unidades. Podia ser mazinha e dizer que é uma iguaria barata, o que dá sempre jeito. Podia ser cínica e lembrar que, antes de virar moda, a velha bifana vendia provavelmente o mesmo número de unidades nas roulotes que rodeiam os estádios em dias de ...

E daqui a 50 anos?

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Decorreu em Portugal um encontro de reflexão e um ciclo de debates com um tema fundamental: como será Portugal em 2030? A questão que estava em cima da mesa era a demografia. Qual será previsivelmente a composição da população portuguesa daqui a 20 anos ou a 50 anos?  Podemos ver aqui as principais conclusões dos estudos agora apresentados. As projeções apresentadas são aterradoras. O nosso índice de fecundidade é baixíssimo. Será apenas uma questão de cultura? Não me parece. Como mãe, sei bem que a nossa sociedade não protege nem ajuda a maternidade. Embora a licença de maternidade tenha sido alargada no tempo, a mãe trabalhadora não tem direito a apoios que lhe permitam conciliar o trabalho e a maternidade de uma forma razoável. E todos sabemos que ter um filho na creche é tão dispendioso (ou mais!) do que ter um filho na Universidade. Também sabemos que a esperança média de vida aumentou significativamente. E, se isso é uma boa notícia para todos nós, também temos de ter c...

Error - Democracy not found!

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"Assim como os monárquicos haviam aberto o caminho à República, os republicanos abriram-no à ditadura. (...) Tudo se conjugava para criar no País um ambiente propício à ideia generalizada de que era preciso qualquer coisa para substituir aquilo."                            (Maurício de Oliveira  Diário de um Jornalista  1926-1930) Sim, a manifestação do passado sábado, dia 29 de setembro, foi grande. Não vou entrar aqui na polémica dos números e do cálculo de quantas pessoas cabem no Terreiro do Paço, por metro quadrado. Estava lá muita gente. Mas nada que se comparasse com a grande manifestação que varreu o País no dia 15. Creio que a razão para a diferença reside no facto de a manifestação de dia 15 ter nascido da sociedade civil, através da internet e das redes sociais. Foi um grito de alma, uma afirmação dos cidadãos, que sentiram necessidade de dizer que existiam, que não se limitavam a ent...

Ontem, num semáforo...

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Ontem, parei num semáforo numa avenida muito concorrida de Lisboa. Pelo canto do olho, reparei num homem que, no separador central, empunhava um cartão com frases escritas. Confesso que não liguei muito, estamos habituados a ver gente a pedir, com as mais variadas estratégias. Por vezes, até já encolhemos os ombros, percebemos que o dinheiro que se pede é para alimentar o vício.  Mas houve qualquer coisa que me fez olhar duas vezes. Aquele cartão era diferente, era um murro no estômago. Consegui ler: "Aceito qualquer trabalho. Tenho dois filhos para alimentar". Lembrei-me de cartazes idênticos da época da Grande Depressão, dos anos 30. As imagens de pobreza, desolação, desespero, que associamos a essa crise, vieram-me à memória. Aprendemos que as crises são cíclicas. Mas as pessoas existem aqui e agora.  O sinal verde acendeu-se e eu afastei-me do homem e do seu cartaz. Na minha memória apareceu outro cartaz da época da Grande Depressão, que reclamava: "Somos cidadã...

Caldeirada

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Chama-se "efeito day after". Ontem, os anúncios de que, a uma hora conveniente, isto é, imediatamente antes do futebol, iriam ser anunciadas mais medidas de austeridade, ainda foram mais stressantes do que as próprias medidas! Ainda bem que andei distraída durante o dia inteiro, (a trabalhar, pois claro!) senão, tinha andado com os nervos em franja, à espera... Como diria o outro, "Que mais irá me acontecer?" Já me tiraram uma fatia do ordenado, já me retiraram os subsídios, diminuiram os dia de férias, anularam uns feriados... O que faltava? Tudo aumentou, desde a gasolina aos passes dos miúdos. Bem, dizem-me que ainda tenho sorte porque tenho um trabalho!... Ok! Recuso-me a ver só o lado mau das coisas. Por isso, vou comer uma bela caldeirada! Feita em casa, claro, para ser mais económico!

A Carris e os idosos

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A Carris publicou os números do seu desempenho, no primeiro semestre deste ano. Não sou economista, não sei avaliar a maioria dos dados, embora tenha ou possa ter um olhar crítico sobre eles. Mas há um número que me chama a atenção: segundo os dados fornecidos, houve uma diminuição de cerca de 40 000 passes sociais da 3.ª Idade vendidos no mesmo período. Que se passou? Não nos estamos a referir a pessoas que ficaram desempregadas, ou que emigraram. Nesta faixa etária, as pessoas utilizam o passe social para ir ao médico ou ao Centro de Saúde, para ir ver os netos ou dar uma mãozinha a um filho, para ir ao jardim apanhar um pouco de sol, para ir visitar uma amiga que está doente, ou que apenas precisa de um pouco de companhia. Para ir ao supermercado, porque já custa a subir a rua com as compras. Para ir buscar as radiografias, ou os sapatos que ficaram a mudar as capas no sapateiro, ou as fotos do último Natal, que mandaram imprimir porque não as sabiam guardar no computador. Para v...

O Conto do Vigário

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Não sei se foi por, hoje de manhã, ouvir partes do debate quinzenal na Assembleia da República. Talvez tenha sido um acaso. Mas a verdade é que me recordei de um texto que me enviaram, aqui há tempos, sobre a origem dessa manifestação cultural que dá pelo nome de Conto do Vigário . O texto vem atribuído a Fernando Pessoa; não sei se o é, se é obra do ortónimo, de algum dos heterónimos, ou se é um neterónimo, isto é, circula na net  como sendo da sua autoria, mas sem validação nem provas. Assim, vou publicar este texto tal como mo passaram a mim. (Retrato de Fernando Pessoa por Almada Negreiros - 1935) A Origem do Conto do Vigário Vivia há já não poucos anos, algures, num concelho do Ribatejo, um pequeno lavrador, e negociante de gado, chamado Manuel Peres Vigário. Da sua qualidade, como diriam os psicólogos práticos, falará o bastante a circunstância que dá princípio a esta narrativa. Chegou uma vez ao pé dele certo fabricante ilegal de notas falsas, e disse-lhe: ...

Ainda os sapos e os ciganos

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Gosto quando as coisas que escrevo suscitam comentários e reações diversas. Foi o que aconteceu com o post sobre os sapos e as superstições dos ciganos. Um dos comentários que recebi passou dos sapos para os significados no dicionário, e daí para os provérbios populares, passando pela velhinha canção "Eu vi um sapo". Tudo para nos pôr a refletir sobre as raízes profundas e os significados das palavras que às vezes dizemos já sem pensar. Merece transformar-se num post! Eu vi um sapo  Um feio sapo  Ali na horta  Com a boca torta Tu viste um sapo  Um feio sapo  Tiveste medo  Ou é segredo Eu vi um sapo  Com guardanapo  Estava a papar  Um bom jantar Tu viste um sapo  Com guardanapo  E o que comia  E o que fazia Eu vi um sapo  A encher o papo  Tudo comeu  Nem ofereceu Tu viste um sapo  A encher o papo  E o bicharoco  Não te deu troco Eu vi um sapo  Um grande sapo Foi malcriado  Fiquei ...

Originalidades portuguesas no 1.º de maio

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Hoje, na maioria das cidades da Europa e do mundo livre, os trabalhadores manifestaram-se nas ruas. Em Portugal, somos criativos e originais, por isso as manifestações decorreram nos supermercados Pingo Doce.  A lembrar outros tempos, apenas as esporádicas intervenções da polícia, agora a impedir agressões entre clientes. (imagem tvi multimedia)

Sapos e outras superstições

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Eu sei que sou distraída, mas admito que só este ano me comecei a interrogar sobre a quantidade de sapos que se encontram à entrada dos mais variados estabelecimentos comerciais, desde pastelarias a supermercados, passando por lojas de moda. Já alguém reparou nisto? São sapos grandes ou pequenos, realistas ou caricaturados, de loiça, de papel, de metal, a variedade é tão grande como a imaginação humana. Confesso que de início só me interroguei sobre o bom gosto (ou a falta dele!) que presidia a certas escolhas decorativas. Mas achei que, para ser uma solução decorativa, se repetia vezes demais! Também podia ser uma mensagem relacionada com a crise, do estilo: “Agora vamos ter de engolir uns sapos!” Podia ter a ver com príncipes encantados, beijos e casamentos felizes para sempre!... Bem, acabei por perguntar a amigos e, afinal, a resposta era simples: era para afastar os ciganos! Uma simples pesquisa na internet permitiu-me perceber que os ciganos associam os sapos ao mal, ao infor...

Foi há 50 anos

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Há 50 anos, o Salazarismo continuava instalado de pedra e cal aqui na capital do império. Após a convulsão provocada pela vitória dos regimes democráticos na 2.ª Guerra Mundial, o regime português conseguira manter-se no poder e os brandos costumes continuavam. No entanto, os ventos da História sopravam em direções diferentes. A Guerra Colonial já incendiava Angola e os jovens portugueses começavam a interrogar-se e ao seu futuro. Faz hoje 50 anos, em 24 de março de 1962, os estudantes universitários de Lisboa pretendiam comemorar o Dia do Estudante, como já se fazia há anos. Mas o ambiente mudara. Desde o mês de novembro anterior que havia manifestações contra a Guerra Colonial, repressão e prisões de estudantes, embora pontuais. E, naquele dia de março, decidiu-se que as comemorações iriam decorrer, mesmo sem autorização do Ministério da Educação. O regime respondeu com o encerramento da Cantina e a invasão da Cidade Universitária. Centenas de estudantes foram espancados e presos....