Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Postal de Lisboa

Postal de Lisboa XXV - Os azulejos de Lisboa

Imagem
Hoje, passámos a manhã a passear por Lisboa, de nariz no ar, a observar os azulejos das fachadas dos prédios. Todos deviamos fazer isto mais vezes, tirar tempo para olhar à nossa volta, com vagar. Muitas vezes, é aquilo que está ao pé de nós, que vemos todos os dias, que mais nos escapa! É o caso dos azulejos. Todos nós, em Lisboa, nascemos e crescemos rodeados de azulejos. Eles estão nas fachadas e nos interiores. Nos cafés e nas igrejas. Nas casas de banho e nas escadarias nobres. Atapetam prédios inteiros ou são apenas frisos, à volta das janelas ou no topo dos edifícios. São multicolores ou monocromáticos. Têm padrões geométricos ou motivos florais. São tantos e tão diversificados que já não lhes damos importância nenhuma. A arte do azulejo é uma das nossas heranças mouras. A partir do século XVI, XVII, atinge aqui em Portugal, no entanto, um esplendor quase único. Um século depois, salta do interior para o exterior e cobre fachadas inteiras. E, quando Lisboa cresce e se...

Postal de Lisboa XXIV - A Mesquita de Lisboa

Imagem
A entrada principal da mesquita A mesquita de Lisboa foi inaugurada em 1985. Construída na colina que sobe de S. Sebastião, a sua arquitetura destaca-se no meio do casario lisboeta, mas não são muitos os não-muçulmanos que lá entram. Ontem, a mesquita abriu mais uma vez as suas portas, para uma visita aberta a todos, crentes e não crentes, organizada pela Um Outro Olhar, Divulgação Cultural . Guiados pelo Sheik Munir, há muitos anos à fente da Comunidade Islâmica de Lisboa, os visitantes puderam percorrer todos os espaços da mesquita. A Sala de Orações Uma mesquita é, acima de tudo, um espaço de oração. Por isso, o espaço mais importante é a grande sala de orações, de uma beleza contida, com o seu nicho apontando a direção de Meca, o seu enorme candelabro, os painéis de azulejo com versículos do Corão ou simplesmente motivos florais. Todo o chão está coberto de tapetes, já que os crentes devem rezar descalços, sobre um local limpo. Os azulejos estão muito presentes, lemb...

Postal de Lisboa XXIII - Nas pegadas da Severa

Imagem
(Fado frente à Igreja de Nossa Senhora da Saúde) É uma associação nascida e desenvolvida dentro do bairro. Chama-se "Renovar a Mouraria" e tem feito um trabalho muito positivo e meritório em várias áreas, desde o enquadramento dos jovens até à revalorização da multiculturalidade, que é um traço distintivo do bairro.  Com o apoio do Museu do Fado, decidiram organizar passeios guiados pela Mouraria. Não podia perder e lá fui, num fim de tarde de sábado. E que fim de tarde bem passado! Guiados pelos próprios habitantes do bairro, percorremos as ruelas estreitas, vimos a casa onde viveu a Severa, mas também a da Maria Albertina ou do Fernando Maurício. O fado parece estar entrelaçado nas próprias pedras das ruas que pisamos, com nomes evocados nos fados mais conhecidos, como a Rua do Capelão. Por isso, o fado acompanha-nos. Ouvimos fado frente à Igreja da Saúde, depois mais à frente, no Largo da Severa. Os habitantes acenam das janelas, marcam lugar nos bancos para ouvir...

Postal de Lisboa XXII - O renovado Largo do Intendente

Imagem
(Loja da Fábrica Viúva Lamego, no Largo do Intendente) Podia chamar-se António, Manuel ou Raimundo. Mas tinha de ser assim, simples, popular e bem português, o nome daquele homem que encontrei na esplanada "Das Joanas", no renovado Largo do Intendente. Tinha aquela idade indefinida de quem já se esqueceu há quanto tempo está reformado. Um ar simples e limpo, uma pronúncia de alfacinha de gema, nascido e criado nos bairros populares da cidade. Um discurso fluido, pontuado pelos apelos: "Ó Anabela, traz aí mais uma!", referindo-se à imperial que não lhe saía da mão. E um grande orgulho no seu bairro renovado. Estávamos a comentar a recente passagem do Gabinete do Presidente da Câmara para o Largo, como um sinal da renovação e requalificação do espaço, quando o sr. Manuel (vamos chamar-lhe assim...) nos interpelou: - Ele trabalha ali, entra-se por aquele portão ali em frente. Às vezes, vem aqui tomar um café, em mangas de camisa, é muito descontraído! Desculp...

Postal de Lisboa XXI - Com Fernando Pessoa na Brasileira

Imagem
É interessante passar um bocado da tarde na esplanada d'"A Brasileira" do Chiado, a observar o que se passa à nossa volta. Há sempre muitos turistas. Uns passam, sem parar. Outros, mais avisados, puxam do livrinho que, numa qualquer língua, lhes dá informações sobre o local. Também há mendigos, músicos e malabaristas. Mas, aqui, a grande vedeta é Fernando Pessoa. Sentado numa mesa da esplanada, mantém-se impávido, indiferente à agitação à sua volta. Mas ninguém é indiferente à sua figura. Há sempre alguém a tirar uma fotografia ao lado da estátua. O que lhes diria Pessoa, o poeta das mil personalidades, se pudesse sair do seu mutismo de bronze? Gostaria deste protagonismo? Talvez sim, tudo vale a pena, se a alma não é pequena. As fotografias sucedem-se. Um rapaz senta-se ao seu lado e passa-lhe o braço à volta dos ombros, como se fossem velhos amigos. Um miúdo senta-se com ar intimidado, a olhar de soslaio para aquela figura estranha. Os pais sorriem por ele, e ti...

Postal de Lisboa XX - Os sabores de Lisboa

Imagem
Uma cidade também se define, entre outras coisas, pelos seus cheiros e sabores. Por isso, é tão diferente ver um filme,  mesmo panorâmico, mesmo em 3D, ou passear vagarosamente pelos lugares, deixar-se contagiar pelo que têm para dar, saboreá-los com os cinco sentidos. Quanto aos sabores, Lisboa é uma cidade de petiscos. Vejam-se os fins de tarde em qualquer esplanada, ou nessas tascas recuperadas e subitamente na moda mas que, apesar disso, não perdem o seu ar um pouco popular e fadista. Não temos o hábito das tapas, como os nossos amigos espanhóis, mas perdemo-nos por um prato de caracóis! Mas, ao fim e ao cabo, quais são os petiscos lisboetas? Fui à procura deles. E cheguei à conclusão de que os mais famosos e originais são os que resultaram da mistura da necessidade com a criatividade! Em primeiro lugar, os peixinhos da horta ! Segundo parece, surgiram na Lisboa medieval, quando, em vez do peixe ou do camarão, se fritava o feijão verde plantado nas hortas saloias pe...

Postal de Lisboa XIX – Os Panteões Nacionais

Imagem
(A Igreja de Santa Engrácia vista de São Vicente de Fora) Diz o dicionário que o Panteão é o conjunto dos deuses, ou o local onde se presta culto aos deuses, mas, atualmente, é o nome dado ao edifício consagrado à memória dos homens ilustres e onde se depositam os seus restos mortais. Há em Portugal dois mausoléus aos quais foi dada a designação de Panteão Nacional: o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, porque aí se encontram os túmulos dos dois primeiros reis de Portugal, D. Afonso Henriques e D. Sancho I; o outro é a Igreja de Santa Engrácia. Esta Igreja começou a ser edificada em 1682, mas as obras só terminaram em 1966, dando origem à expressão “obras de Santa Engrácia” para algo que nunca mais acaba. O edifício é recuperado para Panteão Nacional em 1916, em plena Primeira República, colocando aí os túmulos dos nossos presidentes da República e de escritores portugueses. Aí estão sepultadas personagens tão diferentes como os nossos primeiros presidentes, Teófilo Braga e...

Postal de Lisboa XVIII – Árvores de Interesse Público

Imagem
Quantas vezes caminhamos por Lisboa, tão apressados que nem nos damos tempo para apreciar o que está à nossa volta! Mal olhamos para os prédios, as pessoas, os nossos sentidos concentrados no trânsito, ou no trabalho que nos espera nesse dia. E, no entanto, quantas coisas interessantes esta cidade tem para mostrar! Por exemplo, as árvores. Como eu ando sempre de nariz no ar, dá-me para reparar nas árvores de Lisboa. Felizmente ainda não inundámos a cidade de palmeiras, na tentativa de a transformar numa espécie de cidade californiana ou caribenha. Mas o clima é propício e muitas árvores do mundo imenso que explorámos foram trazidas para Lisboa e aqui se desenvolveram bem. Às vezes, até nos acolhemos à sombra destas belas árvores, nas tardes soalheiras, sem nos apercebermos do valor do património que nos protege das inclemências do sol. Algumas dessas árvores têm tanto valor que foram declaradas Árvores de Interesse Público. As razões podem variar. Podem ser árvores muito antigas (h...

Postal de Lisboa XVII – As hortas na cidade

Imagem
Uma das coisas que tem graça em Lisboa é a mistura de urbanidade e ruralidade. Provavelmente, tem a sua razão de ser nas vagas de migrantes internos que, pressionados pela necessidade laboral e económica, vieram viver para Lisboa e engrossar a população da cidade ao longo do século XX. Vieram, mas trouxeram consigo a nostalgia do campo onde foram criados, o hábito da horta ao pé de casa. E criaram as suas próprias hortinhas, onde era possível, nos terrenos baldios, nas bermas das estradas, nas encostas que levam às grandes urbanizações onde vivem. Todos nós já vimos estas hortinhas, espalhadas pela cidade. Têm uma cerca mal amanhada, uma barraquinha para guardar as ferramentas e utensílios daquela pequena lavoura, umas filas de couves a separar as batatas dos tomateiros. Aos fins de semana, logo pela manhã, vêem-se por lá os saudosos dos campos, de enxada em punho. Por vezes, estas pequenas hortas compõem a pobre ementa semanal de quem faz muitas contas para chegar ao fim do mês. Conf...

Postal de Lisboa XIV - Os Cafés dos Poetas

Imagem
Tal como noutras cidades europeias, há espaços em Lisboa que são indissociáveis dos poetas e escritores que os frequentaram. O espaço que nos vem logo à memória é o café “Martinho da Arcada”, nas arcadas do Terreiro do Paço. As paredes estão cheias de invocações de Fernando Pessoa e dos seus amigos, com quem aí se encontrava. Ainda podemos ver qual era a mesa em que o poeta se costumava sentar. Mas encontramos também o mesmo poeta n’ “A Brasileira” do Chiado. Aí, a estátua de Fernando Pessoa senta-se comodamente na esplanada, parecendo olhar quem passa, como tantas vezes o terá feito em vida. No largo fronteiro ao Café, António Ribeiro Chiado, do alto do seu pedestal, aponta para o espaço com ar escarninho. É o poeta Chiado que, no século XVI, ao vir instalar-se nesta zona da cidade, acabará por lhe dar o nome. Caminhando para o Rossio, encontramos a bela fachada do café “Nicola”, que o poeta Bocage frequentava e que chegou a nomear nos seus versos satíricos. Ao fundo do café, um ...

Postal de Lisboa XIII - As Vilas Operárias

Imagem
Um dos aspectos mais interessantes de Lisboa são os antigos bairros operários, as chamadas Vilas. Os Pátios ou vilas têm origem na civilização árabe, que tanto nos marcou, e permitem uma convivialidade intimista entre vizinhos, muito típica das sociedades mediterrânicas e também da sociedade lisboeta. (Arco de entrada da Villa Bertha) Voltam a surgir na capital nos finais do século XIX, princípios do século XX, durante o surto de industrialização que caracterizou esse período. Na verdade, agrupavam os operários que vinham trabalhar nas novas indústrias da cidade e, por isso, encontramos estas vilas nas zonas humildes ou periféricas, como por exemplo a Graça ou Alfama. Há várias que ainda existem, outras desapareceram. Recordo-me, quando era miúda, de brincar com amiguinhas que moravam na Vila Cândida, que se situava na mesma avenida onde eu morava. Ainda hoje existe a Vila Maia, a Vila Souza, o Bairro Grandella.  O que têm de especial, de diferente, é o facto de se...

Postal de Lisboa XII - O Animatógrafo do Rossio

Imagem
O velho Animatógrafo do Rossio A vinte metros do Rossio, por trás do Arco Bandeira, precisamente no n.º 229 da Rua dos Sapateiros, situa-se o Animatógrafo do Rossio. Fundado em 1907 pelos irmãos Ernesto Cardoso Correia e Joaquim Cardoso Correia, era, à época, o mais luxuoso cinema de Lisboa, o primeiro a oferecer uma lotação de 100 lugares para assistir às novas variedades que vinham de França e dos Estados Unidos da América: as fitas de cinema. Abriu a 8 de Dezembro, com a estreia do filme "A Aventureira". A partir daí, teve as suas vicissitudes: foi palco de teatro de variedades, foi sede de companhia de teatro infantil, mas, durante a maior parte da sua vida, foi um cinema. Em 1984, estando então fechado devido à morte dos seus proprietários, a Associação Portuguesa de Realizadores de Filmes propõe este espaço para sua sede, mas tal intenção nunca veio a concretizar-se. Em 1994, reabre com espectáculos eróticos. Hoje, é a Sexilândia, com anúncio público na Inter...

Postal de Lisboa XI - O Campo dos Mártires da Pátria

Imagem
Já passei por aqui, seguramente, dezenas de vezes. No entanto, só hoje me deu para pensar quem poderão ser os mártires homenageados nesta praça de Lisboa. As placas toponímicas não dão nenhuma ajuda e a dúvida impõe-se. Quem serão estes mártires? Atendendo a que este campo é enquadrado pelo Hospital de São José, de um lado, e pelo Hospital dos Capuchos, do outro, poder-se-á pensar que os mártires são os doentes. Mas eles não sofreram, nem sofrem, pela Pátria. Sofrem por si próprios, sem que a Pátria lhes possa valer. Não há indicação de que os homenageados tenham sido martirizados nos mares da China, no sertão brasileiro ou nos pântanos da Guiné. Quem serão então? Sou levada a crer que estes mártires, afinal, somos nós todos. Nós, o povo comum, o Zé Povinho, tal como o retratou Rafael Bordalo Pinheiro, que trabalha, paga impostos, se desgasta… Bem, uma rápida pesquisa esclarece as dúvidas. Este jardim é assim chamado em honra dos conspiradores (o mais famoso dos quais o gene...

Postal de Lisboa X - A Fonte Luminosa

Imagem
Os lisboetas continuam a chamar-lhe Fonte Luminosa, embora eu já não me lembre da última vez que a vi iluminada ou a deitar água. Quando eu era pequenita, sim, recordo-me desta grande cascata de água a cair e até, por vezes, em alturas especiais, iluminada por holofotes de várias cores, que lhe davam um ar fantástico, em que os cavalos e as sereias navegavam no meio dos arco-íris. Ia jurar que ainda tenho fotografias minhas, a brincar no grande relvado fronteiro à Fonte Luminosa. Depois do 25 de Abril, secou. Nas grandes manifestações que aí decorreram, na época da Revolução, já não me lembro de a ver com água. A Fonte Luminosa foi construída em 1940; ainda lá tem a placa comemorativa da inauguração pelo presidente Óscar Carmona. Foi uma das obras emblemáticas do regime e ainda hoje é um bom exemplo daquilo a que chamamos, geralmente, a arquitectura do Estado Novo. As linhas direitas, as figuras monumentais, são típicas da época e dialogam na perfeição com o Instituto Supe...