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O Filho de Saul

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Fui ontem ver o filme "O Filho de Saul", do realizador húngaro Laszlo Nemes, vencedor do Óscar para Melhor Filme Estrangeiro, além de vencedor do Festival de Cannes.  Escolhi a sessão de ontem à tarde, no cinema Ideal, porque era apresentada pela Doutora Esther Mucznik, uma pessoa que muito admiro. No entanto, ao ouvir as palavras da líder da Comunidade Judaica no nosso país, senti o receio de não conseguir aguentar o peso do filme a que me preparava para assistir. Consegui vê-lo todo. E consegui não chorar, mas apenas porque há situações que nos deixam secos, sem palavras, sem emoções. Assim é este filme. A ação do filme desenrola-se no campo de concentração de Auschwitz, no final do verão de 1944. Não há, no filme, nenhuma localização espacial ou temporal específica, mas todos os indícios nos levam para aquele local infernal, naquela época. No norte da Europa, já se tinha dado o Desembarque da Normandia e a Alemanha já começava a recuar e a perder a guerra. Mas...

A última Von Trapp

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Morreu ontem Louise Von Trapp, com 99 anos, a última sobrevivente daquela família Von Trapp que todos aprendemos a conhecer e a amar com o filme "Música no Coração". Sim, eu sei que o filme era lamechas, mas todas as criaturas da minha geração cresceram com aquelas paisagens e aquela música no coração. Vi o filme quando era pequenita. Era uma época em que a violência ainda não nos entrava em casa a toda a hora, através da televisão, nem estavamos habituados a conviver com mortos-vivos ou monstros. Foi um dos primeiros filmes que vi que retratava o nazismo, e como ele mudara pouco a pouco as pessoas. Lembro-me que nunca tinha ouvido falar dos nazis, e foi ali que percebi o perigo dos regimes que querem criar um homem novo através do medo. Chorei, claro, mas também sabia as músicas de cor! A família de cantores tem a sua vida um tanto romanceada, no filme, como é habitual! Na verdade, eles não fugiram a meio da noite, pelas montanhas, mas fugiram realmente graças à música,...

Comboio nocturno para Lisboa

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  Um professor suíço, com uma vida monótona e rotineira. Um episódio repentino, que o obriga a repensar a rotina e tomar uma decisão inesperada. E, de repente, Lisboa! Linda, luminosa, melancólica. Não é, talvez, a cidade em que nos movimentamos todos os dias, nem é, tão pouco, a cidade da minha infância, dos anos 60 e 70, quando se passa uma parte importante do enredo do filme. É que Lisboa, aqui, também representa um papel, tem uma personalidade, ela própria é uma personagem da história, como dizia uma amiga minha. E, no entanto, é a nossa Lisboa,  a nossa história, são as nossas referências.  O filme resulta da adaptação ao cinema do livro de Pascal Mercier, publicado em alemão em 2004, com o título Nachtzug nach Lissabon, que se tornou também um best-seller na Europa.   Não é, com certeza, uma obra-prima da sétima arte, mas é um filme que nos prende a atenção do princípio ao fim. É muito interessante vermo-nos através do olhar de out...

As mulheres no cinema

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Entra o mês de Fevereiro e começamos a falar ainda mais de cinema. Os Óscares estão aí à porta e ouvem-se apostas e defesas ou ataques a este ou àquele filme, a esta interpretação ou àquela banda sonora. Gosto muito de cinema, mas não me vou meter em dissertações destas. O que eu li, e realmente achei interessante, foram as conclusões de um estudo levado a cabo pelo Centro para os Estudos de Mulheres na Televisão e no Cinema (que eu nem sabia que existia!). Segundo esta pesquisa, as mulheres representam apenas 18% num universo de realizadores, produtores executivos, argumentistas, cineastas e editores. Em Hollywood, dos 250 filmes mais lucrativos em 2012, só 9% foram realizados por mulheres. Segundo a mesma pesquisa, surge um maior número de mulheres na produção de documentários, animações, ou então no cinema independente. Puxei pela cabeça e, realmente, só me lembrei dos nomes de Kathryn Bigelow e de Sofia Copolla, a assinarem filmes de sucesso. Sou capaz de enumerar imensos real...

Cloud Atlas

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Há muitas razões que nos podem levar a uma sala de cinema, para ver um filme. No meu caso, fui ontem ver o filme Cloud Atlas levada pela disparidade das críticas que li a respeito. De Fabuloso! a Insuportável! encontrei de tudo.   Um crítico de cinema dá-lhe uma estrela, outro dá-lhe quatro! Em que ficamos então? Nada como ir ver e formar a minha própria opinião. Um filme que desperta emoções tão extremadas tem, pelo menos, de ser interessante. E foi! O enredo do filme, baseado num best-seller do escritor inglês David Mitchell, transporta-nos para vários momentos no tempo, que vão do século XIX à atualidade, continuando para um futuro imaginado no século XXII e indo mesmo até um futuro pós-apocalíptico. Mas todos esses momentos se interligam, de alguma forma, embora os espectadores só comecem a perceber as ligações lá para o meio do filme. Não dei pela passagem das três horas do filme, a intensidade dramática prende-nos da primeira à última cena. E gostei muito. Tem alguns mome...

Jesus Christ Superstar

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Na época da Páscoa, era tradicional a televisão passar filmes que revisitavam a vida de Jesus. Geralmente, centravam-se nos seus últimos anos, na pregação, na prisão e calvário, até ao momento final da crucificação. Nada de chocante, afinal éramos um país maioritariamente católico, onde a tradição pascal tinha raízes fortíssimas. Em muitas cidades e aldeias, ainda hoje essas tradições são seguidas e cumpridas. Continuamos a encontrar as procissões, o Enterro do Senhor, a Via Sacra. Outras actividades religiosas ocupam toda a Quaresma, até à explosão festiva do Domingo de Páscoa. As televisões, no entanto, espelham hoje a diversidade cultural e religiosa que caracteriza Portugal. A programação pouco tem a ver com a época litúrgica. E dei por mim a recordar o filme sobre a vida de Jesus que mais me marcou: o Jesus Christ Superstar. Este filme de 1973, baseado na obra de Tim Rice e   Andrew Lloyd Webber, foi uma explosão de criatividade musical, mas também de liberdade no modo de r...

As Meninas do Calendário

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Provavelmente, a única vantagem de estar doente é poder ler ou ver televisão com descanso e tempo. Ontem, dia internacional da Mulher, aconteceu, seguramente não por acaso, que passaram na televisão dois filmes muito interessantes e simbólicos da evolução da situação da mulher no último meio século. Durante a tarde, a FoxMovies (passe a publicidade) ofereceu a quem o quis ver "O Relatório Kinsey", um filme muito menos polémico do que o livro que lhe deu origem. O Relatório Kinsey foi provavelmente o primeiro grande estudo científico sobre a sexualidade e os comportamentos sexuais humanos. Só por isso, já merecia destaque. Mas o professor Kinsey atreveu-se a dedicar todo um livro apenas à sexualidade feminina, tratando com objetividade e naturalidade temas tabus como o orgasmo ou a masturbação nas mulheres. Na época, gritou-se "Escândalo!" e foi acusado de faltar ao respeito à mulher americana, lançando sobre ela esse olhar. Mais tarde percebeu-se que quem não r...

Um Urso de Ouro português

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Faz hoje 28 anos. Mas João Salavisa tem uma dupla razão para festejar. Ontem, na prestigiada Berlinale 2012, o Festival de cinema de Berlim, ganhou o Urso de Ouro para a melhor curta-metragem, com o seu filme "Rafa", que conta a história de um miúdo de 13 anos que deixa a sua casa nos súburbios para procurar a mãe, detida numa esquadra de polícia de Lisboa por conduzir sem carta.  No seu agradecimento, perante 1600 espetadores, disse ainda que dedicaria o prémio ao governo português.  "Mas só na condição de nos ajudarem nos próximos anos, porque não sabemos o que vai acontecer com o nosso cinema", acrescentou.   João Salavisa estudou Realização na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e desde 2005 que vem a acumular prémios, entre os quais se distingue, já em 2009, a Palma de Ouro do Festival de Cannes com a sua curta-metragem "Arena". Foi o primeiro português a obter tal prémio. Também o filme “Tabu”, de Miguel Gomes, foi distinguido com o pré...

Estado de Guerra

Fui ver este filme porque ganhou seis Óscares, entre os quais o de melhor filme, e não porque me despertou um interesse especial. No entanto, gostei. O filme é passado no Iraque e torna-se um bocado claustrofóbico, devido à forma como é filmado, como se se tratasse de um documentário que acompanhasse o dia-a-dia de um grupo de soldados americanos desactivadores de minas, mas também devido ao ambiente, à cor de areia que rodeia e confunde tudo na mesma paisagem. Quem já esteve no Médio Oriente sabe que aquela é a cor, a cor da areia e do pó. A falta de verde é angustiante, como a falta de água. Apesar de ser um filme totalmente rodado como reconstituição de situações de guerra, não é bem um filme de guerra, mas sim um filme sobre as emoções humanas em situação de guerra. Estão aí as constantes do filme: é o medo, a inevitabilidade da insegurança, a contagem dos dias até ao regresso a casa; é a tensão elevada ao máximo, os sentidos alerta em dada situação de perigo, a concentração total ...

Precious

Esta semana, iniciada com o Dia da Mulher, decidi que o meu blogue seria um blogue feminino. Evidentemente que, sendo escrito por mim, que sou mulher, parte sempre de um olhar feminino. Mas esta semana apetece-me destacar mulheres e falar de problemas das mulheres. Hoje, chegou a vez de Precious.   Precious,  ou Preciosa, Uma História de Esperança (título no Brasil), é um filme de Lee Daniels, que foi realizado no ano de 2009, e chegou este ano às salas de cinema, a tempo dos Óscares. É um filme de baixo custo e sem grandes nomes nos papéis principais. A actriz que faz o papel principal, Gabourey Sidibe, era uma desconhecida até há pouco tempo. Só nos papéis secundários encontramos nomes conhecidos, como Mariah Carey, Lenny Kravitz ou a extraordinária Mo'nique. Mas, neste filme, isso não é nada importante, porque o que importa é fazer-nos reflectir, mais uma vez, sobre a violência que se desencadeia, por vezes, sobre os elementos mais indefesos da sociedade, as mulheres e as c...

Out of Africa

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I once had a farm in Africa. Quem não se lembra desta frase? A mim, ela transporta-me imediatamente para as terras quentes de África, numa viagem de aventura e descoberta inesquecível. O prometido é devido e, finalmente, vou responder ao desafio da Vanessa e entregar o meu Óscar a um dos filmes que já alguma vez ganhou uma dessas cobiçadas estatuetas. Depois de muitas hesitações e escolhas difíceis, o meu Óscar vai para Out of Africa , com o título em português de África Minha. Realizado por Sidney Pollack pela Columbia Pictures, ganha sete Óscares, incluindo o de melhor filme, no ano de 1985. Além desse, ganha os óscares de melhor direcção, melhor argumento adaptado, melhor fotografia, melhor banda sonora original, melhor direcção artística e melhor som. Entre 1985 e 1987, ganha ainda prémios Globos de Ouro (EUA), Bafta (Reino Unido), César (França), David di Donatello (Itália), da Academia Japonesa de Cinema e dos American Film Editors. Afinal, o que tem este filme de tão especia...

E o meu Óscar vai para...

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J á toda a gente sabe que eu gosto muito de cinema e, nesta época do ano, em que se aproxima a entrega dos Óscares, há muita coisa para ver e avaliar. A propósito desta cerimónia dos Óscares, a Vanessa do blogue Fio de Ariadne teve uma ideia interessante, que me parece valer a pena divulgar. Trata-se de uma Blogagem Colectiva sobre os filmes que já venceram a cobiçada estatueta desde o início da sua atribuição, em 1929.  Bem, eu vou participar, só não sei que filme escolher. Sabemos que nem sempre o júri vai ao encontro das nossas preferências (aconteceu-me isso no ano passado!), mas, de qualquer modo, ao longo destes anos, foram premiadas verdadeiras obras-de-arte. Basta recordarmos Danças com Lobos ou Forrest Gump,   África Minha ou Kramer contra Kramer . E, se recuarmos um pouco, podemos lembrar-nos de Casablanca, ... E tudo o vento levou , e tantos outros filmes que se tornaram clássicos da nossa vida.  É uma boa altura para os recordar. A Vanessa teve uma exce...

Tudo pode dar certo!

C onfesso que sou fã do Woody Allen desde o primeiro filme que vi deste actor/realizador/comediante. Creio que estava na Faculdade e o filme foi "O Inimigo Público número Um" ou "O ABC do Amor". Desde aí tentei não perder nenhum. Houve uma fase mais conceptual, de menos interacção com o público, mas os seus últimos filmes são, novamente, daquele humor sarcástico e atabalhoado a que Woody Allen nos tinha habituado.  Agora, Woody volta a filmar em Nova Iorque, o seu caldo de cultura, o lugar que ele conhece e retrata como ninguém. Neste filme, mostra-nos a sociedade tal como ela hoje se tenta organizar, procurando novos esquemas familiares que dêem resposta às novas questões sociais. O protagonista do filme é Boris, um físico brilhante e desiludido com a vida - confesso também que tive saudades de ver Woody Allen a representar, este era um papel feito à sua medida. Boris põe tudo em causa, num desencanto que espelha uma sociedade que viu ruir os grandes ideais polític...

Pipocas!

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Considero-me uma pessoa tolerante. Acho que cada um tem o direito de ter os seus gostos, os seus pequenos vícios, de procurar ser feliz à sua maneira, desde que não me incomode a mim nem à Humanidade. No entanto, há algumas coisas com as quais embirro solenemente. Uma delas, é comer pipocas no cinema. É um hábito relativamente novo, que nós absorvemos com entusiasmo. Mas tem os seus contras. Por exemplo, a não ser que se vá à primeira sessão do dia, temos de entrar numa sala invariavelmente suja e caminhar sobre restos de pipocas. Não gosto. Mas há pior. Atrás de nós, senta-se sempre uma família carregada com três pacotes de pipocas, pelo menos. Não se limitam a comer, remexem nos pacotes como se tivessem esperança de encontrar um colar de pérolas, lá bem no fundo. O barulho é irritante, especialmente naqueles momentos do filme em que estamos todos concentrados no drama ou na acção que se desenrola lá à frente. Há sempre um "crrr, crrr" que nos desconcentra do que estamos a...

Invictus

O ntem, fui ver o filme "Invictus". Foi o filme mais inspirador que vi nos últimos tempos. Baseado na história, verídica, da participação da equipa da África do Sul no Campeonato Mundial de Râguebi de 1995, é acima de tudo uma bela história de como um homem pode tornar-se um líder e levar o seu país a unir-se à volta de uma ideia, um propósito, uma equipa. O homem é Nelson Mandela, magistralmente interpretado por Morgan Freeman. O capitão da equipa de râguebi é Matt Damon, o realizador é Clint Eastwood. E o país é a África do Sul, depois da libertação de Nelson Mandela e da sua eleição como Presidente da República. É o momento em que o país está à beira de uma guerra civil, que pode bem tornar-se uma guerra racial. Há que gerir as expectativas dos negros e os receios dos brancos, de modo a fazer vingar o sonho de uma África do Sul multirracial, o país do arco-íris. Só Nelson Mandela poderia perceber que podia unir o país através da equipa de râguebi dos brancos, simbolo do pr...

Ágora

Como sabem os que por aqui me seguem já há algum tempo, gosto de aproveitar as nossas "interrupções lectivas" para pôr um pouco em dia o meu gosto pelo cinema e ver um ou outro filme que não tenho tempo de ver noutras alturas. Aproveitei então e fui ver, por sugestão da Ana , o filme "Ágora", que retrata os últimos anos da matemática e filósofa Hipátia, na cidade de Alexandria. O filme, realizado por Alejandro Amenabar, começa em 391, isto é, no ocaso do Império Romano, na época em que o Imperador Teodósio declara o Cristianismo a religião oficial do Império Romano. Tenho uma simpatia clara por Hipátia, é a primeira mulher matemática numa cidade fascinante, a Alexandria helenística, centro do conhecimento e da multiculturalidade mediterrânica. A veracidade histórica é bastante razoável. Os personagens principais são figuras históricas, desde o pai de Hipátia, Theon, até ao Bispo Cirilo. Parece que Hipátia era mesmo uma mulher assumidamente independente e celibatári...

Goodbye Lenin

As férias também servem para pôr em ordem as leituras que não tivemos tempo de fazer ou os filmes que não tivemos tempo de ver. Para os filmes com mais razão ainda, já que eles são exibidos ao contrário do nosso ritmo normal de vida. Isto é, os filmes bons são, geralmente, exibidos no inverno, especialmente entre Janeiro e Março, antes da entrega dos Óscares. Mas, pelo menos para mim que sou professora, essa altura do ano é de muito trabalho, com projectos a desenvolver e trabalho acumulado que, muitas vezes, extravasa para o fim-de-semana. Não consigo ir ao cinema tanto quanto gostaria e fico sempre com filmes em atraso. Pelo contrário, no Verão, quando temos algum tempo livre, é raro encontrar um filme bom em exibição. É então altura de repescar os filmes que não houve tempo para ver. Foi o caso de Goodbye Lenin! Filme alemão de 2003, realizado por Wolfgang Becker, a acção desenrola-se na antiga Alemanha de Leste, entre os finais dos anos 80 e o início dos anos 90, isto é, retrata o ...

A Turma

O Festival de Cannes é a grande montra do que de melhor se faz no mundo do cinema e, este ano, um jovem português, João Salavisa, ganhou aí o prémio para melhor curta-metragem. Parabéns ao realizador, à sua equipa e ao cinema português. Serve isto como pretexto para escrever um pouco sobre o filme que ganhou a Palma d'Ouro no ano passado, 2008. "A Turma", no original "Entre les Murs" de Laurent Cantet, é um filme rodado numa escola dos arredores de Paris. Retrata essencialmente a relação entre um professor e um grupo de alunos, uma turma, durante um ano lectivo. A turma, a escola, é uma amostra do tecido social e dos conflitos que aí se tecem e nós, espectadores, assistimos aos esforços do bem intencionado professor de Francês no sentido de levar aquele grupo a aprender a expressar-se melhor, mas também a respeitar-se e a compreender-se. Nem sempre ele é feliz nas suas atitudes, e por vezes, as situações são levadas a extremos. No final do ano lectivo, todos c...