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A viagem de balão que eu (não) fiz...

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Terminou neste fim de semana o 20.º Festival de Balões de Ar Quente, que pôs, mais uma vez, dezenas de balões a colorir os céus do Alentejo. É sempre um espetáculo magnífico e eu lá rumei até terras alentejanas, para voar ou, simplesmente, apreciar as vistas... Os anúncios do festival declaravam " Para os mais destemidos, há viagens diárias e gratuitas em balões de ar quente, que permitem assistir ao brilho do nascer e pôr-do-sol e desfrutar das paisagens da planície alentejana. Só têm de estar nas tendas dos “meeting points” às 6h30 ou às 14h45, tendo em atenção que há vagas limitadas." Eu não me sentia com muita coragem para essas esperas, mas os anúncios falavam também de vouchers, com voos garantidos. Como tenho amigos no Alentejo, pedi para me comprarem os vouchers. E paguei-os de boa vontade, já que eram vendidos pelos bombeiros e o seu valor revertia para as suas corporações. E, no sábado, lá fomos para o Alentejo! Às 14h e 30, a fila já começava a formar-...

Uma música com trezentos anos

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Ontem, mais uma vez, o Patriarcado de Lisboa ofereceu à população lisboeta um magnífico concerto, tal como já tinha acontecido no ano passado, por ocasião da comemoração do 250.º aniversário do orgão da Igreja de São Vicente de Fora. Mais uma vez, o organista João Vaz e o Coro Capella Patriarchal partilharam o palco, que é como quem diz o púlpito da igreja... É sempre com muito prazer que assisto a um concerto na Igreja de São Vicente de Fora. A igreja é muito bela e imponente e eu perco-me a apreciar as capelas laterais ou as estátuas que se abrigam debaixo do enorme baldaquino! Mas ontem, houve outro motivo de apreço: foi interpretada uma obra de João Rodrigues Esteves, músico da corte de D. João V, chamada Vésperas de Natal. Datada de 1737, foi ontem ouvida pelo público pela primeira vez desde essa data.  Esta belíssima peça ficou quase trezentos anos perdida nos arquivos do Patriarcado de Lisboa. Não é com certeza caso único. Sabemos que muitas partituras e peças musicais ...

Mulheres e marionetas

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Fui assistir, quase por acaso, a um espectáculo interessante e diferente: "Marioneta meu amor" junta a música  de Amílcar Vasques-Dias a uma demonstração, feita pelo marionetista Manuel Dias, de como os bonecos podem ganhar expressão e quase mostrar sentimentos e emoções. O acompanhamento, ao piano, feito pelo próprio compositor, partiu do recente CD de Amílcar Vasques-Dias "Desnudo", baseado na poesia feminina hispano-árabe dos séculos XIII e XIV. Cada boneca ganha vida nas mãos do marionetista, criando momentos de grande intimidade onde temos um vislumbre de como eram essas mulheres. As poetisas que aqui são recordadas eram mulheres muçulmanas que viviam no Al-Andaluz. Eram cultas, interessantes, faziam poesia, falavam dos seus amigos e amantes. E não eram mortas por isso. (O compositor, o marionetista, e uma das suas bonecas) Aqui há dias, a Teté, no seu blogue Quiproquó , lembrava o drama da adolescente que foi atacada pelos talibãs por ter a coragem ...

Broadway Baby

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Os musicais americanos povoaram desde sempre o nosso imaginário coletivo, tanto ou mais do que as valsas de Strauss. Todos nos habituámos a ouvir canções e melodias, em relação às quais já não identificamos a origem, ou o compositor, mas que reconhecemos imediatamente. Integram aquilo que se chama o American Popular Songbook, e pertence-nos um pouco a todos. Por tudo isso, foi uma excelente ideia aproveitar a celebração dos 30 anos de carreira de dois homens muito ligados aos musicais portugueses, os irmãos Henrique e Nuno Feist, para trazer ao palco lisboeta do Cine-Teatro Mário Viegas a História do Musical Americano. Num ritmo quase alucinante, Henrique Feist percorre essa história, sempre acompanhado pelo piano do seu irmão,  falando-nos do espaço da Broadway, dos seus primeiros grandes compositores, da forma como o musical americano evoluiu até às grandes produções da atualidade. Ao mesmo tempo, vai desfiando canções e pedaços de melodias de Irving Berlin, Cole Porter, J...

Música nas Praças

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Para comemorar o Dia Mundial da Música, que se comemorou no passado dia 1 de Outubro, a Câmara Municipal de Lisboa lançou a iniciativa Música nas Praças. Ontem, sábado 3 de Outubro, houve música em várias praças de Lisboa, ininterruptamente, a partir das 2 horas da tarde. Como não temos o dom da ubiquidade, como Santo António, e não conseguimos estar em vários sítios ao mesmo tempo, tivemos de escolher o que preferíamos ver e ouvir, de entre um programa bem diversificado. Houve concertos de música clássica, coros, bandas filarmónicas, a dificuldade esteve na escolha. Conseguimos assistir a três concertos: um de jazz, com a Big Band do Hot Club de Portugal; outro, no extraordinário cenário das ruínas do Convento do Carmo, com o Coro Vox Laci, que viajou da música sacra aos U2 e Pedro Abrunhosa; por último, no Largo de S. Carlos, a Orquestra dos Pequenos Violinos da Metropolitana de Lisboa. Três concertos bem diferentes, três concertos excelentes, que não deixaram ninguém indiferente. As...

Piaf

Descobri que hoje é o Dia da Juventude e que, para assinalar a efeméride, o governo português decidiu dar descontos em espectáculos a jovens entre os 16 e os 25 anos. Para dar a minha contribuição, vou sugerir um espectáculo: Piaf, um musical encenado por Filipe LaFeria, sobre argumento de Pam Gems. Conta, como é evidente, a história da vida de Edith Piaf, essa extraordinária cançonetista parisiense, que encantou o mundo inteiro com a sua voz e a sua expressividade, entre os anos 40 e 50. Depois de muitos amores atribulados, e presa de uma grande instabilidade emocional, acaba a carreira e a vida demasiado cedo. Mas as suas interpretações ficarão para sempre connosco, simbolizando o encanto de Paris, na época em que Paris era, realmente, a cidade que marcava a cultura do mundo ocidental. O espectáculo está muito interessante, não ocultando as fases mais negras da vida da cantora. Mas o ponto mais alto são as extraordinárias interpretações de Vanda Stuart, cuja voz e postura em palco se...

Leonard Cohen, I'm your fan!

Leonard Cohen vem actuar no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, dia 30 de Julho. Adoro este velho senhor da música, mas não estarei em Lisboa nesse dia. Como compensação, já levei para o carro os 4 CDs que tenho de Leonard Cohen - e continuo a não me cansar de o ouvir! Para os sortudos que o vão ver e ouvir ao Pavilhão Atlântico, aqui está um video de Leonard Cohen cantando "I'm your man" (uma das minhas canções favoritas, não há dúvida), com a vantagem de que vai passando a letra. Assim, podem ir ouvindo enquanto treinam as vozes para o concerto!

Titanic - A Exposição

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Hoje, tive de ir à Praça dos Restauradores e aproveitei para espreitar a exposição “Titanic”, que está patente na Estação do Rossio. Para mim, é sempre um deslumbramento passar na Estação do Rossio, com a sua bela fachada neo-manuelina, num estilo tão em voga no nosso século XIX. Confesso que, da fachada, só não gosto daquela figurinha que representa D. Sebastião, porque… não gosto de D. Sebastião! Se houvesse um ranking para os piores reis de Portugal, ele estaria porventura num dos lugares cimeiros. Quanto à exposição, foi uma boa surpresa. Está muito bonita, cativante. Vemos objectos que foram encontrados juntamente com o navio naufragado: objectos pessoais, óculos, peças de roupa, malas de mão; também objectos do próprio navio, enormes panelas, centenas de pratos, pedaços dos ornamentos das salas. Podemos tocar num pedaço do casco do próprio Titanic e num bloco enorme de gelo, que simula o iceberg que o afundou. Vemos as imagens das requintadas salas de convívio da primeira cla...

Varekai

Fui ontem, com a família toda, assistir à estreia do espectáculo "Varekai" que o Cirque du Soleil traz este ano a Portugal. Logo a partir dos primeiros momentos, o espectáculo prende-nos: no cume de um vulcão, ou no meio de um bosque, surge-nos um mundo feérico, de fadas e duendes, de insectos, lagartos e libelinhas, que talvez se chame Varekai. Dos céus cai um jovem de longas asas, talvez Ícaro. A aventura que se segue junta acrobacia e arte dramática a uma extraordinária beleza visual, em que os cenários e o guarda-roupa são de uma enorme beleza e criatividade. A música, ao vivo, ajuda a transportar-nos para esse mundo irreal. Em resumo, é um espectáculo a não perder. É uma noite encantada. Só para abrir o apetite, aqui vai um bocadinho do espectáculo.

Coro dos Maus Alunos

É o título de uma peça de Tiago Rodrigues proposta pela Culturgest no âmbito do Projecto Panos - Palcos Novos Palavras Novas. É uma peça sobre jovens, para ser encenada e e interpretada por jovens, embora a personagem principal seja um professor de filosofia. Coro dos Maus Alunos é a história de um velho professor de filosofia promotor do espírito crítico dos seus alunos em relação à escola. Acusado de os confundir e de manter com eles relações que ultrapassam os limites de uma relação entre professor e aluno, o professor é submetido a um processo. É uma variação contemporânea sobre o julgamento de Sócrates, ocorrido em plena democracia ateniense e, t al como em Atenas, é pela voz dos alunos que conhecemos, distorcida e interpretada, a vida do velho professor e a história do seu julgamento. Esta semana, fui ver a peça duas vezes, porque foi encenada por dois grupos de jovens, ambos ligados à Oficina de Teatro que funciona na minha escola. Uns estão a terminar o 9.º ano e é o seu proje...

Violinos e acordeões

Ontem à noite fui assistir a um concerto do Rodrigo Leão. Gostei imenso. Ele alternou músicas do álbum "Cinema" com outras do que vai sair em Junho próximo. Mas a qualidade é sempre a mesma, a mistura de sonoridades é sempre agradável. Gosto particularmente da mistura do violino com o acordeão: o resultado é um som urbano, tradicional mas intemporal, que nos remete irresistivelmente para universos como o do filme "Amélie", muito do meu agrado, diga-se. Saí do espectáculo com a alma lavada. "Hoje o céu está mais azul, eu sinto!"