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Amadeo de Souza Cardoso, o modernista esquecido

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Amadeo em Paris Em boa hora vai realizar-se em Paris, no Grand Palais, uma grande exposição que reúne e divulga a obra de Amadeo de Souza Cardoso.  Como portuguesa e frequentadora do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, a obra de Amadeu sempre me foi familiar. Lembro-me também de uma grande exposição que a Gulbenkian organizou, aqui há anos, com a retrospetiva do pintor, e que foi um tremendo sucesso. Mas fora de Portugal o seu nome é quase desconhecido e isso é uma enorme injustiça. Entrada Esta semana, foi a anteestreia do filme/documentário Amadeo Souza Cardoso, o segredo mais bem guardado da arte moderna. Realizado pelo francês luso-descendente Cristophe Fonseca, mostra-nos o percurso do pintor, desde a sua infância minhota, até à sua morte precoce, em 1918. E permite compreender melhor a dimensão da sua obra e as razões do seu esquecimento. Através da tela, seguimos o autor para Paris, onde conhece e se torna amigo de alguns dos grandes nom...

O Museu Interactivo do Megalitismo

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E já que falamos de museus, vai também abrir ao público um novo museu no Alentejo, mais precisamente no concelho de Mora. Está já em construção junto à antiga estação dos Caminhos de Ferro, que vai também ser requalificada e integrada no complexo museológico. O tema é o Megalitismo, o que achei muito interessante. Se há sítio apropriado para criar um museu sobre o megalitismo, é o Alentejo. É uma região rica em vestígios dessa cultura megalítica que, numa época já remota, entre 6.000 e 2.000 anos antes de Cristo, se desenvolveu no oeste da Europa, num arco atlântico que vai do nosso país até à Inglaterra. No Alentejo, encontramos inúmeras antas, algumas em excelente estado de conservação. Encontramos menires. E encontramos até um monumento extraordinário, o cromeleque dos Almendres, que eu considero ser o património edificado mais antigo da Europa e sobre o qual já escrevi aqui . Fazia falta um museu, ou um espaço de interpretação e divulgação de todo esse património extraor...

Um novo museu em Lisboa

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Vai nascer em Lisboa um novo museu. Já está em construção, em Belém, perto do atual Museu da Eletricidade e, tal como este, pertence à Fundação EDP. Será o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT).  O novo MAAT terá um enorme espaço para exposições e eventos e, segundo os planos da arquiteta britânica Amanda Levete, terá ainda um restaurante virado para o Tejo. Tem uma originalidade: poderá passear-se por cima do edifício. o que pode ser bem interessante, considerando que fica à beira-rio. O diretor do novo museu será o arquiteto Pedro Gadanho, que exerceu o cargo de curador no MOMA, em Nova Iorque, nos últimos anos, por isso as expectativas são grandes.  Abre ao público no próximo verão.

Pagar para visitar?

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Ontem, ao princípio da tarde, quis experimentar a minha máquina fotográfica nova e fui até Cacilhas. Há muitos anos que não andava por aquelas bandas, mas a ideia era fotografar Lisboa do outro lado do Tejo. Mudei de ideias quando vi, ancorada junto ao Clube Náutico de Almada, a fragata D. Fernando II e Glória.  Antiga fragata de guerra, construída na India portuguesa, em Damão, foi lançada às águas em 1843. Embora fosse um navio de guerra, transportava passageiros e fazia a ligação entre Portugal e os territórios portugueses na India. Já no século XX, foi transformada em Navio-Escola de Artilharia Naval e depois em sede da Obra Social da Fragata D. Fernando, recolhendo rapazes com fracos recursos económicos, que aí recebiam instrução escolar e treino de Marinharia. Em 1963, sofreu um violento incêndio e permaneceu encalhada no rio Tejo até 1992, altura em que foi novamente posta a flutuar e reconstruída.  Restaurada tal como era na década de 1850, a fragata D. Fe...

O renascimento do Sol Invencível

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Festeja-se no próximo dia 22 o solstício de inverno. É o dia mais pequeno do ano e eu, que reajo mal à diminuição da luz solar, contraditoriamente, gosto deste dia por isso mesmo: a partir de agora, os dias vão recomeçar a aumentar. Primeiro devagar, timidamente, mas no final de janeiro já se notará a diferença. Já os antigos conheciam e festejavam esta data. Os romanos festejavam o dia do Sol Invicto no dia 25 de dezembro, três dias depois do solstício, quando o sol começava visivelmente a nascer mais cedo.  Data dos tempos romanos um santuário, atualmente a ser escavado num pequeno promontório junto à Praia das Maçãs, dedicado ao sol e à lua. O lugar era especial. Era o sítio onde o sol se punha e a terra reconhecidamente acabava. Não se conhecia mais nada para ocidente!  Mencionado em textos do início do século XVI, a propósito de umas escavações, a localização do santuário perdeu-se da memória das gentes. No início do século XXI, os arqueólogos voltaram ao terreno e...

ReciclArte

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Vik Muniz é um artista plástico brasileiro, nascido em S. Paulo em 1961, e tem neste momento uma exposição retrospetiva no Museu Berardo, em Lisboa. Aproveitando os tempinhos livres no meio de uma formação, durante este fim de semana, fui lá espreitar e admito que fiquei fascinada. Tinham-me dito que Vik era um fotógrafo e um artista talentoso. Mas ele é muito mais do que um fotógrafo, porque o que é fascinante é o trabalho extraordinário que está por trás de cada imagem. Ele aproveita os materiais mais díspares e inesperados, de diamantes e caviar a açúcar, arame, brinquedos, desperdícios informáticos, até lixo. É com esses materiais que ele compõe as suas imagens realistas e fantásticas ao mesmo tempo. Vale mesmo a pena dar um salto até ao Centro Cultural de Belém, passear um pouco por aquele espaço tão agradável, e ver esta exposição que, devido ao seu sucesso, vai estar patente até ao início de março. A entrada é livre e o agrado é garantido. Depois da visita à exposição, acons...

O Farol Museu de Santa Marta

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Porque hoje, 18 de Maio, é o Dia Internacional dos Museus, achei oportuno destacar e divulgar um dos nossos mais recentes espaços museológicos: o Farol Museu de Santa Marta, em Cascais. Este farol situa-se num pequeno forte com o mesmo nome, erguido na década de 50 do século XVII num esporão rochoso que avança sobre o mar e fez parte da defesa marítima de Cascais até ao século XIX. Tenho de confessar que tenho um fraquinho por faróis. Acho-os de uma beleza quase cinematográfica, pelo modo como se elevam nas falésias, mas também pelas cores ou padrões que geralmente enfeitam as suas torres, e que os tornam mais visíveis, mesmo de longe. Fascinam-me os jogos de espelhos que aumentam a sua capacidade luminosa, os focos de luz que varrem a noite, os alarmes sonoros que avisam os marinheiros em dias de nevoeiro. E, depois, há a sua imensa carga simbólica, da luz que nos guia no meio dos escolhos da costa e da escuridão. É todo esse mundo, misterioso e fascinante, que pode ser agora comp...

Uma Casa de Histórias

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Finalmente, fui espreitar a Casa das Histórias da Paula Rego, em Cascais.  Não sei se gostei mais do interior ou do exterior. A casa, em si, é belíssima. Uma construção em tijolo vermelho a fazer lembrar peças de Lego. Com telhados, mas sem janelas, como a concentrar-se no seu interior. Mas, quando entramos, o interior abre-se para o exterior, em enormes janelas que dão para pátios interiores e verdejantes. Os quadros e desenhos da Paula Rego esperam-nos no interior do Museu. São, como sempre, retratos e imagens de um universo ficcional poderoso, complexo e mesmo, por vezes, chocante. Paula Rego reconstrói a realidade de uma forma alternativa, com uma forte conotação sexual; vejam-se as ilustrações para contos infantis. Também as relações de poder são desconstruídas. O universo religioso tem uma leitura original, com as suas figuras femininas actuais e fragilizadas. De resto, toda a pintura de paula Rego se constrói à volta de figuras femininas que nos permitem múltiplas leituras...

Natal na Arte Antiga

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Ontem à noite, o Museu de Arte Antiga abriu as suas portas para comemorar o Natal de uma forma diferente. Depois de um concerto de Natal no átrio principal, onde se ouviram músicas tradicionais da época natalícia, o museu proporcionou visitas guiadas a peças e espaços do museu, relacionados com o Natal. Passamos pela Virgem de Belém, pelo magnífico Presépio do Marquês de Belas, pelos presépios de barro do século XVIII, pelas representações da Virgem e do Menino Jesus na pintura europeia dos séculos XVI e XVII.  Representações, relações e simbolismos foram explicados pelos especialistas, num diálogo simples com o público, que circulava entre os diversos espaços.  No final, quem quis ainda comeu bolo-rei e bebeu chocolate quente, oferecidos pelo museu. O museu, apesar de ser sábado à noite, estava cheio de gente de todas as idades. Numa época em que nos queixamos de que as pessoas voltam as costas à cultura, esta iniciativa é de louvar. E repetir, claro! (A Virgem e ...

Mais uma razão para ir a Bruxelas

Embora goste muito de viajar e já tenha andado um pouco pela Europa fora, ainda não fui a Bruxelas. Não calhou! É evidente que tenho anotados, no meu bloco de notas "Must see before I die!" alguns locais nessa cidade, como o Museu da Banda Desenhada, onde mora o Tintim da minha infância, ou a Grande Place, que alguns consideram a Praça mais bonita da Europa. Mas agora tenho mais uma razão para ir a Bruxelas: abriu este mês de Junho de 2009 o Museu Magritte. Este grande pintor surrealista belga é um dos meus favoritos e o museu foi instalado na casa (pertinho da Grande Place!) onde trabalhou durante 24 anos. Enquanto não posso lá ir pessoalmente, aqui fica o filme de apresentação do Museu, numa pequena viagem guiada por... cachimbos, chapéus-de-chuva e chapéus de côco, logicamente. Não posso deixar de sorrir ao lembrar-me das acesas discussões que alguns destes quadros suscitaram, neste ano lectivo, quando estava a trabalhar com os alunos do 9.º ano as novas correntes artístic...

Um novo Museu dos Coches?

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As pessoas que se mantêm atentas a estas coisas - que não são tantas como seria devido, já se sabe - foram surpreendidas pelo anúncio de que se preparava um novo edifício para alojar o Museu dos Coches. Confesso que, quando li esta notícia, fiz um esforço para me recordar de aspectos verdadeiramente negativos ou degradados do actual Museu. Não me lembrei de nenhum. Pelo contário, lembrei-me de ter também, aqui há tempos, lido a notícia de que estavam a ser feitas obras de recuperação do espaço do Museu. Não sei se serão as mesmas que, durante algum tempo, obrigaram as peças em exposição a encontrar um abrigo num edifício do Parque das Nações. Seja como for, houve obras! Justifica-se, depois das obras feitas, o transporte do riquíssimo acervo do Museu para outro local? Dizia a dita notícia que o novo edifício seria uma obra de arquitectura projectada de raiz para o Museu. Permito-me opinar que qualquer obra de arquitectura moderna será, seguramente, menos adequada para a exposição dos c...