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A viagem de balão que eu (não) fiz...

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Terminou neste fim de semana o 20.º Festival de Balões de Ar Quente, que pôs, mais uma vez, dezenas de balões a colorir os céus do Alentejo. É sempre um espetáculo magnífico e eu lá rumei até terras alentejanas, para voar ou, simplesmente, apreciar as vistas... Os anúncios do festival declaravam " Para os mais destemidos, há viagens diárias e gratuitas em balões de ar quente, que permitem assistir ao brilho do nascer e pôr-do-sol e desfrutar das paisagens da planície alentejana. Só têm de estar nas tendas dos “meeting points” às 6h30 ou às 14h45, tendo em atenção que há vagas limitadas." Eu não me sentia com muita coragem para essas esperas, mas os anúncios falavam também de vouchers, com voos garantidos. Como tenho amigos no Alentejo, pedi para me comprarem os vouchers. E paguei-os de boa vontade, já que eram vendidos pelos bombeiros e o seu valor revertia para as suas corporações. E, no sábado, lá fomos para o Alentejo! Às 14h e 30, a fila já começava a formar-...

Uma caldeirada na Trafaria

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Um destes dias, convidaram-me para ir até à Trafaria, comer uma caldeirada. É um daqueles convites que são irrecusáveis... Aproveitar os últimos dias de sol... Cruzar o Tejo num ferryboat dos antigos, um cacilheiro a sério, amarelo, onde ainda podemos apoiar-nos na amurada, a sentir o vento e as ondas do rio... Saborear um peixinho fresco, cozinhado das formas mais tradicionais... Que bom programa! Há muitos anos que não ía à Trafaria e estava com curiosidade em ver como estava aquela pequena vila, fronteira a Lisboa. Parecia-me talhada para ser um ponto de referência turística: a vinte minutos da capital, com saída da estação fluvial de Belém e cruzando o Tejo num passeio muitíssimo agradável! Os seus restaurantes são conhecidos, os pratos são recomendados. Esperava ver uma vila mimosa, cheia de esplanadas, com restaurantes de decoração marítima e tradicional, com jardins e passeios cuidados até ao porto fluvial. Infelizmente, enganei-me. Encontrei uma aldeia de subúrbio, c...

Dicas de viagem

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Uma amiga pediu-me para lhe dar sugestões de viagem. Mesmo que quisesse, não o poderia fazer. Uma viagem é uma coisa tão pessoal, tão única! Cada um faz a sua, à sua maneira, repara em certas coisas, aprecia outras, sempre de forma distinta do seu mais próximo companheiro de viagem. Por isso, não vale a pena fazer sugestões ou dar conselhos. Mas há algumas coisas que a experiência já me ensinou e que eu posso partilhar. 1 - Viajar é como uma degustação. Não tenha pressa. Tire tempo para preparar cada viagem, investigue o que há de interessante para visitar, veja os preços, compare, faça simulações, organize rotas e programas... mesmo que tenha de os reorganizar várias vezes! A preparação já faz parte do prazer da viagem. 2 - Escolha cuidadosamente o(s) seu(s) companheiro(s) de viagem. As pessoas são diferentes e têm gostos e motivações diferentes. Se é do estilo de se levantar cedo para calcorrear as ruas, os monumentos, os museus, e a sua companhia de viagem gosta é de apreciar a...

Postal de Lisboa XXIII - Nas pegadas da Severa

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(Fado frente à Igreja de Nossa Senhora da Saúde) É uma associação nascida e desenvolvida dentro do bairro. Chama-se "Renovar a Mouraria" e tem feito um trabalho muito positivo e meritório em várias áreas, desde o enquadramento dos jovens até à revalorização da multiculturalidade, que é um traço distintivo do bairro.  Com o apoio do Museu do Fado, decidiram organizar passeios guiados pela Mouraria. Não podia perder e lá fui, num fim de tarde de sábado. E que fim de tarde bem passado! Guiados pelos próprios habitantes do bairro, percorremos as ruelas estreitas, vimos a casa onde viveu a Severa, mas também a da Maria Albertina ou do Fernando Maurício. O fado parece estar entrelaçado nas próprias pedras das ruas que pisamos, com nomes evocados nos fados mais conhecidos, como a Rua do Capelão. Por isso, o fado acompanha-nos. Ouvimos fado frente à Igreja da Saúde, depois mais à frente, no Largo da Severa. Os habitantes acenam das janelas, marcam lugar nos bancos para ouvir...

Uma praia a oeste

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E porque verão rima com praia, lá fui este fim de semana até uma das belas praias da região do Oeste. Não vou desvendar aqui o nome da praia. Será que alguém a reconhece, pelas imagens? As praias do Oeste não têm a água quente do Algarve, mas têm outros atrativos. Vou dar algumas dicas sobre esta, em particular. Fica perto de Peniche, e é um extenso areal, bem servido de todas as comodidades de apoio turístico. O enquadramento paisagístico é belíssimo, mas as arribas que lhe dão beleza também constituem um perigo.  Há dois anos, uma parte da arriba caiu; por sorte, foi de noite, e ninguém foi apanhado pelas enormes pedras que rolaram pela encosta abaixo. Hoje, lá estão os sinais, muito claros mesmo para alguém que não saiba ler. E, no entanto, continua a haver banhistas que colocam as toalhas e demais tralhas bem juntinho das pedras, como se pode ver nas fotografias! Ignorância ou inconsciência? (Fotografias de Teresa Diniz - Praia da Areia Branca)

Se isto não é o céu, são os arrabaldes!

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Aproxima-se mais um fim de semana de sol, com tudo o que tem de positivo e de negativo. Negativo, pelos problemas que a seca já está a criar no setor agro-pecuário nacional, positivo para quem vive na cidade e espera pelo fim de semana para dar uma voltinha e carregar as baterias. Por isso, deixo aqui a minha sugestão para um belo passeio, entre a serra e o mar.  (O Portinho da Arrábida) Não é longe. A uma hora de Lisboa, à saída de Setúbal, situa-se a serra da Arrábida. É difícil inventariar tudo o que se pode descobrir na serra, os passeios que aí se podem dar, os petiscos que se podem comer nas redondezas, do choco frito de Setúbal às tortas de Azeitão. Para passeios pedestres, aconselho uma vista de olhos às propostas da SAL (Sistemas de Ar Livre) , sempre interessantes e bem organizadas. Mas, para os preguiçosos que gostam de andar de carro ou de mota, há uma rota totalmente irresistível. A melhor hipótese é sair de Setúbal na direção das praias da Figueirinha e P...

O Sião em Belém

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Hoje, a princesa Maha Chakri Sirindhorn, herdeira do trono tailandês, está em Lisboa para inaugurar a Sala Thai, um pavilhão tailandês oferecido pelo seu país a Portugal no âmbito das comemorações dos 500 anos de relações diplomáticas entre os dois países. Foi em 1511 que o navegador português Duarte Fernandes aportou a Ayuthaya, capital do Reino do Sião (atual Tailândia). Foi bem recebido pelo rei, firmando com ele uma aliança que ainda hoje se mantém. Para comemorar tão antiga aliança, o governo tailandês encomendou e construiu em Banguecoque o pavilhão que foi depois transportado de barco até ao Jardim Vasco da Gama, em Belém, onde está montado desde o final do ano passado. Esta obra lindíssima foi concebida pelo arquitecto    Athit Limmu e acabou por representar o «símbolo da amizade» entre os dois países, por se inspirar nas linhas arquiteturais da cidade de Banguecoque e no Mosteiro dos Jerónimos.  O telhado foi coberto com placas que se assemelham à pele ...

A igreja mais antiga de Portugal

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A lápide lá está a atestar a data da edificação: 912. O que significa que esta igreja perfaz este ano 1100 anos e,  ao olharmos as pedras e os arcos que a compõem, vemos mais do que pedras e arcos. Vemos testemunhas de correrias de cristãos e mouros que, à época, ainda antes da formação de Portugal, disputavam estes territórios. Vemos uma demonstração de religiosidade sentida e que necessita de se afirmar, numa zona recém-conquistada aos infiéis. Vislumbramos uma época de recursos escassos e soluções tecnológicas ingénuas. Mas conseguimos adivinhar também uma época de trocas económicas e culturais, visível nas influências diversas e bem heterogéneas desta pequena igreja. Falo da Igreja de São Pedro de Lourosa, situada no concelho de Oliveira do Hospital. Podia acrescentar aqui imensos pormenores arquitetónicos e artísticos, mas o propósito deste blogue não é científico, por isso não me vou alargar em considerações que podem ser encontradas aqui ou aqui . Deixo este desafio para...

Postal de Lisboa XVIII – Árvores de Interesse Público

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Quantas vezes caminhamos por Lisboa, tão apressados que nem nos damos tempo para apreciar o que está à nossa volta! Mal olhamos para os prédios, as pessoas, os nossos sentidos concentrados no trânsito, ou no trabalho que nos espera nesse dia. E, no entanto, quantas coisas interessantes esta cidade tem para mostrar! Por exemplo, as árvores. Como eu ando sempre de nariz no ar, dá-me para reparar nas árvores de Lisboa. Felizmente ainda não inundámos a cidade de palmeiras, na tentativa de a transformar numa espécie de cidade californiana ou caribenha. Mas o clima é propício e muitas árvores do mundo imenso que explorámos foram trazidas para Lisboa e aqui se desenvolveram bem. Às vezes, até nos acolhemos à sombra destas belas árvores, nas tardes soalheiras, sem nos apercebermos do valor do património que nos protege das inclemências do sol. Algumas dessas árvores têm tanto valor que foram declaradas Árvores de Interesse Público. As razões podem variar. Podem ser árvores muito antigas (h...

O Facho da Bonança

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Sabem os que me conhecem do meu fascínio por faróis. Gosto da parte estética dos faróis, a torre, os espelhos e luzes, mas acima de tudo gosto do simbolismo, da luz que guia na escuridão. Enfim, aproxima-se um fim de semana de sol, apetece sair de casa e passear, e não resisto a propor um passeio de descoberta. Não a um farol (já me estaria a repetir, já fiz uma vez um post sobre isso), mas a um seu antepassado, um facho. Neste caso, é o Facho de Nossa Senhora da Bonança, erguido no alto de uma duna de areia junto à praia de Ofir. Segundo alguns autores, teria sido mandado construir por D. João III para ajudar os navegantes a ultrapassar os perigos do litoral pedregoso junto a Fão, os famosos "cavalos de Fão". Hoje, é um pequeno edifício quase desmoronado, com uma porta estreita, em arco, encimada pelo brasão de armas de Portugal. Na parede que dá para sul ainda existe um pequeno postigo que permitia observar uma largo pedaço de mar, mas essa função de vigia deixou de ser p...