Eu sei que sou distraída, mas admito que só este ano me comecei a interrogar sobre a quantidade de sapos que se encontram à entrada dos mais variados estabelecimentos comerciais, desde pastelarias a supermercados, passando por lojas de moda. Já alguém reparou nisto? São sapos grandes ou pequenos, realistas ou caricaturados, de loiça, de papel, de metal, a variedade é tão grande como a imaginação humana. Confesso que de início só me interroguei sobre o bom gosto (ou a falta dele!) que presidia a certas escolhas decorativas. Mas achei que, para ser uma solução decorativa, se repetia vezes demais! Também podia ser uma mensagem relacionada com a crise, do estilo: “Agora vamos ter de engolir uns sapos!” Podia ter a ver com príncipes encantados, beijos e casamentos felizes para sempre!... Bem, acabei por perguntar a amigos e, afinal, a resposta era simples: era para afastar os ciganos! Uma simples pesquisa na internet permitiu-me perceber que os ciganos associam os sapos ao mal, ao infor...
Geralmente, não falo aqui da minha vida profissional, mas hoje apetece-me abrir uma excepção. Reflectindo, o que fiz do meu dia? Dei algumas aulas. Tive reuniões. O usual. Durante as aulas, trabalhei com alunos do 8.º ano. A matéria: a Revolução Francesa. Alguns miúdos estavam mais interessados, outros menos, como de costume. Mas, entre mapas e documentos da época, entre cronologias e sopas de letras, lá fomos avançando. No fim da aula, Robespierre ou Napoleão tinham deixado de ser nomes vazios de sentido. Pelo meio, ainda nos rimos todos do meu aluno que descobriu, muito excitado, que o mapa tinha um erro: "Stôra! Escreveram mal Rússia, escreveram com um P!" Afinal, só tinha descoberto a Prússia! Os miúdos empolgaram-se com a tomada da Bastilha e impressionaram-se com o rei na guilhotina, enquanto discutiam relações entre causas e consequências. No final da aula, tinham compreendido um pouco melhor o que é uma Constituição, uma República, um sufrágio. A História é assim. Tra...
Dizia Mário de Andrade: Quando temos uma bacia cheia de cerejas, comemos com displicência. Quando já temos poucas cerejas, até lhes roemos o caroço. Tenho dado comigo a pensar nesta frase e em como a bacia de cerejas se assemelha à nossa vida. Quando somos jovens, sentimos que temos toda a vida pela frente. Fazemos experiências e vivemos o dia-a-dia com displicência, temos a sensação de que podemos tudo e temos tempo para tudo. Se não for naquele momento, será noutro. Se daquela maneira não resultar, experimentamos outra. Depois, os anos passam. Começamos a perceber que já temos menos cerejas na bacia do que aquelas que já comemos. E passamos a apreciá-las melhor. Cada pormenor, cada sensação, cada dentada na cereja é importante. Sinto isto mesmo em relação à vida. Cada pequena coisa é valiosa. Uma palavra carinhosa, um gesto. Um chá com uma amiga, uma gargalhada, uma confidência. Um pôr-do-sol, um raio que espreita inesperadamente pelo meio de uma nuvem. A primeira ...
Coitadinho, estava a sonhar...
ResponderEliminarTão fofo!