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Dicas de viagem

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Uma amiga pediu-me para lhe dar sugestões de viagem. Mesmo que quisesse, não o poderia fazer. Uma viagem é uma coisa tão pessoal, tão única! Cada um faz a sua, à sua maneira, repara em certas coisas, aprecia outras, sempre de forma distinta do seu mais próximo companheiro de viagem. Por isso, não vale a pena fazer sugestões ou dar conselhos. Mas há algumas coisas que a experiência já me ensinou e que eu posso partilhar. 1 - Viajar é como uma degustação. Não tenha pressa. Tire tempo para preparar cada viagem, investigue o que há de interessante para visitar, veja os preços, compare, faça simulações, organize rotas e programas... mesmo que tenha de os reorganizar várias vezes! A preparação já faz parte do prazer da viagem. 2 - Escolha cuidadosamente o(s) seu(s) companheiro(s) de viagem. As pessoas são diferentes e têm gostos e motivações diferentes. Se é do estilo de se levantar cedo para calcorrear as ruas, os monumentos, os museus, e a sua companhia de viagem gosta é de apreciar a...

Anja Ringgren Lovén, a Educação contra a Superstição

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Anja dá água ao pequeno Hope, quando do seu resgate das ruas Ouvi este nome pela primeira vez há poucos dias. Foi a minha filha que me mostrou a notícia, tão chocante que parecia falsa: uma dinamarquesa tinha salvo uma criança de dois anos, que tinha sido abandonada pela família, acusada de feitiçaria. O caso passara-se na Nigéria e as fotos eram confrangedoras. Aparentemente, o rapazinho de cerca de dois anos, sobrevivia há vários meses sozinho, nem consigo imaginar como. Estava subnutrido e cheio de vermes. Alimentado e tratado, começava agora a recuperar. Anja chamou-lhe Hope. Anja Ringgren Lovén mudou toda a sua vida há três anos atrás, após uma visita à Nigéria. Nesse grande país africano, deparou-se com um problema terrível: havia crianças que eram abandonadas e maltratadas pelas famílias, por suspeita de bruxaria. É uma acusação espantosa: que feitiçaria pode fazer uma criança com um ano de idade, ou pouco mais? Mas a superstição e a ignorância são mais fortes e levam ao...

Há coisas mais valiosas do que uma foto

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Vivemos numa época marcada pelo domínio da imagem. Já se dizia que uma imagem vale mais do mil palavras, mas... será que vale mais do que uma vida? Não tenho nada contra a fotografia, pelo contrário, gosto muito de uma boa fotografia. No entanto, penso que há por vezes algum exagero, um uso e abuso da imagem fotográfica. Parece que tudo o que fazemos tem de ser validado por fotografias, partilhadas abundantemente no Twitter, no Facebook, no Instagram. Os jovens, em especial, partilham o que fazem,o que comem, onde vão, frequentemente sem grande precaução com a sua privacidade. Arrisca-se a vida para tirar a fotografia mais original, mais fantástica, que vai fazer furor nas redes sociais. Enfim, é problema deles. Mas, e se prejudica outros? Vem este meu desabafo a propósito de um caso ocorrido num ressort turístico da Argentina, onde um golfinho morreu em consequência do tempo que foi deixado fora de água, exposto ao sol. E porquê? Porque foi passado de mão em mão, para tirar fotog...

No autocarro

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Há poucas coisas mais animadas, em Portugal, do que viajar nos transportes públicos. Hoje, no autocarro, presenciei uma cena que não resisto a partilhar. O autocarro já ia meio cheio, com pessoas em pé. Numa paragem, um rapaz entra pela porta de trás, com um senhor idoso. O motorista, atento, grita: "A entrada é aqui pela frente!" Provavelmente, um rapaz comum diria: "Eu sei, amigo, e peço desculpa, mas estava a tentar ajudar este velhote!" Mas esta frase não condizia com aquele rapaz. Era um adolescente, de cabelo espetado e brincos nas orelhas. Retorquiu logo, com maus modos: "E então? Qual é o problema?" O problema foi que o motorista não gostou do tom e respondeu também. A troca de palavras foi aumentando, na animosidade e nos decibéis...  - Respeitinho, ó rapaz! - Mas o que é que este quer? Arranca com isto, mas é! - Olha que eu ponho-te no olho da rua!   - Eu pago o passe, tenho direitos! Eu é que lhe pago o ordenado e está pr'aí a fal...

O novo nome do velho aeroporto

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O velho aeroporto da Portela tem novo nome: Aeroporto Humberto Delgado. Ficámos a saber ontem, de repente, sem aviso prévio, sem debate na opinião pública. Lembro-me que, quando da construção da nova ponte sobre o Tejo, houve uma discussão alargada acerca do nome que devia ser dado ao novo equipamento da cidade de Lisboa. Vasco da Gama foi consensual, também ele lançou pontes entre os continentes e era um nome sobejamente conhecido, tanto nacional como internacionalmente. Agora, se pareceu repentinamente importante batizar o velho aeroporto, também teria sido agradável que o nome tivesse surgido de uma  auscultação da sociedade civil. Eu afirmo desde já que teria tido algumas boas ideias. Por exemplo, Camões! Um nome curto, reconhecido por qualquer turista, o nome de um vulto cimeiro das nossas letras. Um nome que não precisa de apresentações! Ou, melhor ideia ainda, Gago Coutinho! O nosso aviador que, nos inícios do século XX, cruzou pela primeira vez o Atlântico Sul! Essa seri...

Uma música com trezentos anos

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Ontem, mais uma vez, o Patriarcado de Lisboa ofereceu à população lisboeta um magnífico concerto, tal como já tinha acontecido no ano passado, por ocasião da comemoração do 250.º aniversário do orgão da Igreja de São Vicente de Fora. Mais uma vez, o organista João Vaz e o Coro Capella Patriarchal partilharam o palco, que é como quem diz o púlpito da igreja... É sempre com muito prazer que assisto a um concerto na Igreja de São Vicente de Fora. A igreja é muito bela e imponente e eu perco-me a apreciar as capelas laterais ou as estátuas que se abrigam debaixo do enorme baldaquino! Mas ontem, houve outro motivo de apreço: foi interpretada uma obra de João Rodrigues Esteves, músico da corte de D. João V, chamada Vésperas de Natal. Datada de 1737, foi ontem ouvida pelo público pela primeira vez desde essa data.  Esta belíssima peça ficou quase trezentos anos perdida nos arquivos do Patriarcado de Lisboa. Não é com certeza caso único. Sabemos que muitas partituras e peças musicais ...

Ovinhos pr'ás meninas e pr'ós meninos

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Tenho dois filhos naquela faixa etária que é geralmente chamada dos jovens adultos. Sendo assim, tenho cerca de vinte anos de contacto estreito com os ovinhos de chocolate da Kinder, os Kindersurpresa. Os meus filhos adoravam-nos, tal como os amiguinhos deles. E nem sei se gostavam mais do chocolate de leite do exterior, se dos bonecos que vinham no interior. Eram sempre brinquedos engraçados e estimulantes. Bonecos e objetos para montar, com várias peças, que os deixavam por ali distraídos durante um bom bocado de tempo. Pequenos puzzles, que os faziam pensar. Ou outras coisas, divertidas e, a seu modo, formativas. Com o tempo, os brinquedos foram-se simplificando. Peças maiores, em menor número. Percebi a intenção: peças pequeninas poderiam ser ingeridas inadvertidamente pelas crianças. Os ovinhos tornaram-se menos interessantes, mas foi por uma boa causa. Há pouco tempo, no entanto, houve outra alteração mais espantosa. Os ovinhos de chocolate deixaram de ser unissexo. Passou a...