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Pausa em jeito de balanço

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Este blogue comemora o seu quinto aniversário neste mês de abril. Foram cinco anos muito cheios, recheados de coisas boas e más e de muitas emoções. E em todas elas o blogue esteve presente, refletindo de forma mais ou menos explícita essas emoções. Chegou o momento de o terminar, de fechar a porta devagar e sair de mansinho. Ao longo destes cinco anos fiz cerca de 500 posts. Em todos eles espelhei a minha forma de olhar o mundo, partilhei reflexões, falei de livros e de viagens, contei histórias, algumas fruto da minha experiência pessoal, outras fruto da minha imaginação. Diverti-me a escrever alguns posts. Chorei a escrever outros. Quase sempre senti a empatia de quem me lia. Porque um blogue não existe no vazio, vive da partilha com quem o lê. E, para ter leitores, o blogue precisa de regularidade. Neste momento da minha vida, não consigo manter este espaço num registo regular. Sem regularidade não há partilha e cada post é como um sopro, que se perde no espaço.  Chegou ...

A loira burra

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Mudou o seu nome para Blondie e encontrei-a nas páginas de uma revista. Melhor dizendo, tropecei nela! Tropeçar tem uma conotação diferente, não é um encontro, com o seu encanto inesperado, remete-nos antes para alguma coisa desagradável que nos atrapalha a caminhada... Pois então, tropecei nesta Blondie!  Trata-se de uma jovem que tem como objetivo máximo na vida assemelhar-se à boneca Barbie. Já fez tudo para alterar a sua imagem: inúmeras operações plásticas, para aumentar o peito, moldar o busto, tornear a anca... Já copiou a cor do cabelo, o penteado, o desenho das sobrancelhas... Faltava-lhe imitar a boneca Barbie na cabecinha... Como pensará a Barbie? Esta difícil questão deverá ter ocupado muitas horas de pensamento da pobre Blondie! As prateleiras das lojas e supermercados apresentam-nos Barbies multifacetadas, elas são médicas e professoras, exploradoras e desportistas. Ah! Mas a Blondie não se deixou enganar! A Barbie verdadeira era aquela boneca que só se pre...

O folião

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Não, não se trata de um novo elemento constituinte da matéria, agora descoberto! É uma especificidade portuguesa, talvez importada do Brasil, muito além do ião, do eletrão, ou mesmo do pelintrão! Quando chega a época das festas do Carnaval, surge em Portugal um novo grupo de pessoas: os foliões. São-nos trazidos pelo zelo noticioso das televisões, que não reconhecem este grupo nem (que eu me tenha apercebido) utilizam este adjetivo em qualquer outra altura do ano. É assim que ficamos a conhecer os desejos e sentimentos deste subgrupo da raça lusitana.  Os repórteres falam dos foliões como se fossem um grupo à parte, distinto dos restantes portugueses. Ficamos assim a saber que os foliões entraram nos recintos de festas ou desfilaram risonhos, apesar da chuva, ou qualquer outra coisa. O termo é tão extensivamente utilizado, que podemos ficar com a ideia de que este grupo específico, que só emerge nesta época, qual ave em migração, tem um código de conduta especial. Qualquer coi...

A última Von Trapp

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Morreu ontem Louise Von Trapp, com 99 anos, a última sobrevivente daquela família Von Trapp que todos aprendemos a conhecer e a amar com o filme "Música no Coração". Sim, eu sei que o filme era lamechas, mas todas as criaturas da minha geração cresceram com aquelas paisagens e aquela música no coração. Vi o filme quando era pequenita. Era uma época em que a violência ainda não nos entrava em casa a toda a hora, através da televisão, nem estavamos habituados a conviver com mortos-vivos ou monstros. Foi um dos primeiros filmes que vi que retratava o nazismo, e como ele mudara pouco a pouco as pessoas. Lembro-me que nunca tinha ouvido falar dos nazis, e foi ali que percebi o perigo dos regimes que querem criar um homem novo através do medo. Chorei, claro, mas também sabia as músicas de cor! A família de cantores tem a sua vida um tanto romanceada, no filme, como é habitual! Na verdade, eles não fugiram a meio da noite, pelas montanhas, mas fugiram realmente graças à música,...

A calçada lisboeta

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Poucas coisas me maravilham tanto em Lisboa como os desenhos a preto e branco das nossas ruas! Damos por eles quando os pisamos, mas é quando os olhamos de cima que toda a sua beleza nos atinge. São como rendas pousadas no chão. Fazem-me lembrar aqueles bonecos que a minha mãe recortava, em papel dobrado, quando eu era pequena; eu ficava fascinada, quando ela desbobrava o papel e os bonequinhos surgiam, destacados sobre o fundo escuro da mesa, todos de mãos dadas ou a dançar numa roda perpétua... A calçada portuguesa é bem mais antiga do que os bonecos recortados da minha mãe. Tal como a conhecemos, começou no século XIX, na Costa do Castelo, no Rossio, nos Restauradores (ao tempo, o Passeio Público). Hoje, é um traço distintivo da cidade, que todos os turistas reconhecem e apreciam e todos os lisboetas amam. Há alguns anos, a Câmara Municipal de Lisboa criou um curso de calceteiros, para que esta belíssima arte não se perdesse. Colocou até uma estátua de um calceteiro, ...

Vou ali ao sol e volto já!...

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Fomos há pouco tempo surpreendidos com a notícia de que a Coreia do Norte teria enviado um astronauta ao sol. Nesse país de mirabolantes encenações já nada surpreende mas, mesmo assim, há notícias que são demasiado incríveis. O locutor da Central de Notícias da Coreia do Norte teria afirmado: "Estamos muito satisfeitos em anunciar uma missão bem sucedida de colocar um homem no Sol . A Coreia do Norte tem batido todos os outros países do mundo. Partiu para o Sol Hung Il Gong  de 17 anos, é um herói. E merece uma recepção de herói quando voltar para casa mais tarde, talvez esta noite”. O jovem herói, sobrinho do líder coreano, teria viajado de noite para evitar as queimaduras solares, trazendo comprovativos da sua viagem. A notícia só pode ter provocado gargalhadas de troça e incredulidade. Ninguém, no seu juizo perfeito, poderia acreditar numa coisa destas. E, realmente, soube esta semana que a notícia tinha sido inventada por um site de notícias cómicas, do mesmo ti...

Fredo Mergner

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De origem húngara, veio para Portugal em 1977, com 24 anos. Era um exímio guitarrista e, numa rápida pesquisa pela internet, facilmente encontramos músicos que falam de Fredo Mergner como uma referência, alguém que ouviram e que se tornou uma influência marcante na forma como tocava a guitarra clássica. Integrou vários projetos. O mais conhecido foi o projeto "Resistência", onde tocava com músicos como Pedro Ayres Magalhães, Fernando Cunha, Tim. Ainda no último concerto da banda, no Campo Pequeno, subiu ao palco com a sua guitarra. No sábado passado, encontrei-o nas Escadinhas do Duque, em Lisboa, a tocar guitarra. Rodeado por pessoas que o ouviam, encantadas, sem provavelmente o reconhecerem. Gostei muito de o ouvir, mas... ficam muitas perguntas por responder. O que faz Fredo Mergner tocar numa rua de Lisboa, num frio fim de tarde de fevereiro? Toca porque lhe apetece? Toca para sobreviver? Diz Fredo: "Fiz a minha evolução em Portugal. As minhas influências, rec...