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Seis coisas inéditas

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Q ue tarefa difícil me atribuiu o Valdeir, do blogue Ponderantes : contar seis coisas inéditas sobre mim, coisas que a maioria dos meus leitores não conheça. Bem, há coisas privadas, claro! Das outras, que posso contar, lembrei-me destas. 1 - Quando era jovem,queria ser hospedeira de bordo, devido à minha atracção pelas viagens, mas a minha fraca figura (não chego bem ao metro e sessenta de altura!) e os óculos, tiraram-me rapidamente as ilusões. 2 - O meu primeiro namorado, ainda na escola primária, foi o filho dos vizinhos do 3.º andar, mais velho três anos do que eu. Namorávamos aos gritos, tardes inteiras, eu no quintal, ele na varanda do 3.º andar. Quando nos encontravamos na rua, não nos falavamos! 3 - Quando acabei o curso, com 22 anos, ganhei uma bolsa de estudo em Perugia, Itália. Aproveitei para passear por lá, de mochila às costas, a acampar onde calhava (até na praia!). Foi um tempo muito feliz, que me marcou para sempre. 4 - Tive muitas dificuldades para engravidar e t...

Leis obsoletas

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Muitas vezes queixamo-nos de que esta ou aquela lei é desajustada, ou antiquada, ou simplesmente idiota. E, muitas vezes, temos razão. O que dizer então destas leis que a seguir se apresentam?  Em Novembro de 2007, o canal televisivo inglês UKTV Gold divulgou os resultados de um inquérito feito a partir de uma pesquisa sobre leis antigas que, apesar de obsoletas, nunca foram revogadas. Os promotores da iniciativa criaram uma lista e pediram aos espectadores que votassem nas que consideravam mais absurdas. Eis aqui algumas das mais votadas: - Em Inglaterra é ilegal morrer no edifício do Parlamento. - Em França, é ilegal atribuir a um porco o nome de Napoleão. - No Vermont, EUA, as mulheres têm de obter por escrito o consentimento dos maridos para poderem usar dentadura. - Na Indonésia, a masturbação é punida com a morte por decapitação. - No Bahrein, os médicos do sexo masculino só podem examinar os órgãos genitais de uma mulher através do reflexo de um espelho. - Na Suíça, os hom...

Artes do Claustro

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Eu sei que não devia fazer este post agora, no fim de Maio, quando estamos todos a pensar como havemos de recuperar as linhas perdidas durante o ano, para apresentarmos um corpinho mais ou menos jeitoso nos areais deste verão. Mas, não me importo, toda a gente sabe que eu sou irremediavelmente gulosa. Vem este dasabafo a propósito da mostra de doces conventuais que decorre, a partir de hoje, no Mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa. Eu não vou perder a oportunidade de passar por lá e provar estas delícias.  Passo a palavra: "A partir de amanhã, e até domingo, dia 6 de Junho, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, decorre a 1.ª Mostra de Produtos Conventuais. Bolachas, compotas, licores e também objectos religiosos, ícones, pinturas, esculturas, artesanato e outros estarão à disposição dos interessados em conhecer o que se faz nos mosteiros e conventos portugueses. Para já, são 14 as ordens e congregações religiosas (mais um seminário e um centro de espiritual...

Uma bacia de cerejas

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Dizia Mário de Andrade:    Quando temos uma bacia cheia de cerejas, comemos com displicência. Quando já temos poucas cerejas, até lhes roemos o caroço. Tenho dado comigo a pensar nesta frase e em como a bacia de cerejas se assemelha à nossa vida. Quando somos jovens, sentimos que temos toda a vida pela frente. Fazemos experiências e vivemos o dia-a-dia com displicência, temos a sensação de que podemos tudo e temos tempo para tudo. Se não for naquele momento, será noutro. Se daquela maneira não resultar, experimentamos outra. Depois, os anos passam. Começamos a perceber que já temos menos cerejas na bacia do que aquelas que já comemos. E passamos a apreciá-las melhor. Cada pormenor, cada sensação, cada dentada na cereja é importante.  Sinto isto mesmo em relação à vida. Cada pequena coisa é valiosa. Uma palavra carinhosa, um gesto. Um chá com uma amiga, uma gargalhada, uma confidência. Um pôr-do-sol, um raio que espreita inesperadamente pelo meio de uma nuvem. A primeira ...

Aniversário

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No dia 24 de Maio de 1959, um jovem casal lisboeta comprou bilhetes para ir ao cinema. A senhora, grávida, começou a sentir dores de parto nessa altura, mas decidiu que não ia perder a sessão de cinema. Quando o filme acabou, dirigiu-se à Maternidade Alfredo da Costa, porque havia uma rapariga cheia de vontade de nascer. E nasceu mesmo, por pouco nascia no corredor. Eram quase três horas da manhã de 25 de Maio.  Já passaram uns aninhos e, apesar da crise que nos cerca, gosto da vida, e procuro ver as coisas belas e positivas. No entanto, continuo uma ICD - uma Inquieta Cidadã Do Mundo.  Parabéns a mim! Nem Tanto... Conheço bem sua história... Seus defeitos, suas qualidades, seus amores, seus medos, seus dissabores... Sei o que gosta de calçar, de vestir, de comer, de beber... E que verde é a sua cor favorita. Conheço seu pai, sua mãe, sua filha, sua neta, seus sobrinhos, toda a sua família. Acredito que saiba quem são seus amigos... Co...

Máscaras em Lisboa

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Ontem, Lisboa encheu-se de máscaras. Encheu-se de caras risonhas, assustadoras, animalescas. Encheu-se de cores vivas e de brincadeiras. Encheu-se de bombos, gaitas de foles e chocalhos. Foi o desfile da Máscara Ibérica. Depois de uma alegre concentração na Praça do Município, os grupos de mascarados desfilaram pela Rua Augusta até ao Rossio. Milhares de pessoas assistiram, fascinadas, a esta demonstração da cultura popular ibérica; fotografaram, riram, participaram nos sustos e nas brincadeiras. Estes grupos, que se afastam totalmente da ideia de Carnaval que tem vindo a expandir-se nos últimos anos e que se associa exclusivamente ao samba e ao Carnaval brasileiro, vão buscar tradições muito antigas, por vezes anteriores ao Cristianismo. Estão associadas aos interesses e necessidades das comunidades agro-pastoris da região que é hoje o Norte de Portugal e de Espanha e espelham as suas raízes célticas. Foi alegre, colorido, genuíno. E foi uma tarde bem passada. Acabámos a tarde ...

Dia da Biodiversidade

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A ocupação desordenada de áreas naturais, a exploração predatória dos recursos da natureza e a poluição são algumas ações humanas que têm originado sérias consequências, levando o planeta a perder cada vez mais espécies animais e vegetais. Para chamar a atenção para o problema, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2010 o Ano Internacional da Biodiversidade. Em todo o mundo, têm sido levadas a cabo várias iniciativas, para relembrar a importância da diversidade das espécies na manutenção dos ecossistemas. Amanhã, 22 de Maio, celebra-se o Dia da Biodiversidade. Entre a crise financeira e as medidas de austeridade, cada vez nos lembramos menos da natureza, embora ela, de vez em quando, nos mostre o seu poder soberano (achei pertinente usar esta palavra que, ultimamente, só aparece ligada à dívida pública; apesar de tudo, é bom perceber que é a Natureza quem, realmente, manda). Para reflectirmos, trago uma frase de Pavan Sukhdev, sobre o eventual esgotamento dos recursos pis...