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Barrigas de aluguer

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H á uns tempos atrás, o mundo que se interessa por essas coisas ficou a saber que a actriz Sarah Jessica Parker tinha decidido ter um filho através de uma... barriga de aluguer. A justificação era não querer estragar a figura. Já na altura me interroguei: não quer estragar a figura ao engravidar? e se a criança chorar de noite? também não vai acudir-lhe para não ficar com olheiras? e tantas, tantas outras situações que surgem e que exigem de nós uma total entrega? Enfim, encolhi os ombros do espírito e pensei: "É a tecnologia ao serviço da futilidade!" Agora, há alguns dias, li uma notícia ainda mais inquietante. Segundo a revista espanhola "Yo Dona", a revista do jornal El Mundo, há uma espécie de negócio de procriação a desenvolver-se, o qual envolve já qualquer coisa como 400 milhões de euros. Trata-se do aluguer de ventres maternos na ... India! Atendendo aos preços que as barrigas de aluguer atingem nas clínicas ocidentais, os genes espanhóis ou americanos via...

No tempo em que os animais falavam

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A Primavera começava a chegar à quinta. Os dias eram mais longos e tudo parecia mais brilhante: a relva que despontava, os botões das prímulas do terraço, os pingos da chuva que ficavam a baloiçar nos ramos e secavam mais depressa. O Máximo também sentia a influência da Primavera. Corria ligeiro pelos muros e pelos telhados e cofiava os bigodes cinzentos. Já não sentia vontade de brincar com os irmãos mais novos, que passavam o tempo a correr atrás dos pássaros e a encenar lutas com os outros gatos. O Máximo gostava era de fingir que preguiçava, no muro em frente da casa, enquanto olhava gulosamente as gatas que passavam. Especialmente a Tita. Ah, a Tita! Era linda, aquela gata, com as suas riscas cor-de-laranja que lhe faziam lembrar um sol, quando se bamboleava pelo terraço. O problema era que a Tita só tinha olhos para o Romeu, o gatarrão cinzento e branco. Passava-lhe à frente e voltava a passar, como quem não quer nada, ou então lançava uma frase “Hoje está menos frio, não está?”...

Renascer aos 63 anos

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Morreu Rosa Lobato de Faria. Internada desde há uma semana no hospital, acabou por falecer com uma anemia grave.  Publicou vários livros de poesia e, a partir de 1995, vários romances. Destaco "O Pranto de Lúcifer", um livro cativante e surpreendente, e esse belíssimo "O Prenúncio das Águas", que já li e reli várias vezes, escrito a cinco vozes, num cenário poético e um pouco fantástico, uma barragem que enche vagarosamente, obrigando ao deslocamento de uma aldeia inteira. Senti bastante a sua morte. Achava-a uma mulher forte, por trás de uma aparência frágil. Não se fechou numa redoma. Não hesitou em participar em filmes e telenovelas, fez letras para canções, foi interveniente sem deixar de ser elegante. Mas, acima de tudo, mostrou que, quando se tem um espírito rico, a velhice é uma letra morta. Publicou o seu primeiro romance aos 63 anos. E, nessa altura, disse numa entrevista:  “E, um dia, quando eu tinha 63 anos, Deus quis que eu nascesse de novo. .." Qu...

Um dia...

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- Anda daí, Pinóquio! O cão levantou-se e encaminhou-se para a porta, como quem já sabe ao que vai. O homem olhou para o cão e riu-se; e o bicho levantou o focinho para o homem, a boca aberta num esgar que podia ser também um sorriso. Já estava velhote, o Pinóquio! O nome tinha-lhe sido dado pelo neto do homem, quando andava a aprender a juntar letras e palavras, e lia e relia, entusiasmado, as aventuras do boneco de madeira. Na época, o cão era um cachorrinho castanho-claro, muito vivo e engraçado, e o nome parecia assentar-lhe bem. Agora, o neto do homem era rapaz feito e vivia outras aventuras com as namoradas que levava lá a casa. E o Pinóquio começava a mostrar os problemas da idade, como as pessoas! O homem abriu a porta, agarrou num casaco de malha, não fosse a tarde refrescar, e saiu ligeiro, acompanhado pelo cão. Tinha decidido que hoje à tarde ia visitar o Júlio. Não era longe, vinte minutos a andar com calma, sem correrias, e quando lá chegasse iam os dois beber uma cervej...

Assim sou eu!

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A BlogGincana propôs uma brincadeira engraçada e original para este mês. Passo-lhes a palavra. Tarefas de Janeiro (as inscrições ficam abertas de 15/1 a 10/2): 1 - Postar no seu blogue uma fotografia com 10 objectos diferentes, numa composição estética livre. Será desejável que cada um dos participantes se identifique com um dos objectos expostos, dando à composição uma identificação mais personalizada e psicologicamente mais íntrinseca. Hoje foi dia de cumprir a tarefa. Mas este conjunto de objectos precisa de uma "legenda" (excepto para quem me conhece)! Então, vamos à explicação dos objectos e da sua ligação comigo. 1 - A pasta da escola. Com ela passo a maior parte dos meus dias. 2 - A mala de viagem. Porque adoro viajar. 3 - O velho álbum de fotografias. Porque preservo e acarinho as memórias familiares. 4 - A boina. Porque gosto de usar coisas na cabeça. 5 - O colar de fantasia. Faz parte das quinquilharias que eu gosto de usar. 6 - Os óculos. Os meus óculos...

Postal de Lisboa XII - O Animatógrafo do Rossio

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O velho Animatógrafo do Rossio A vinte metros do Rossio, por trás do Arco Bandeira, precisamente no n.º 229 da Rua dos Sapateiros, situa-se o Animatógrafo do Rossio. Fundado em 1907 pelos irmãos Ernesto Cardoso Correia e Joaquim Cardoso Correia, era, à época, o mais luxuoso cinema de Lisboa, o primeiro a oferecer uma lotação de 100 lugares para assistir às novas variedades que vinham de França e dos Estados Unidos da América: as fitas de cinema. Abriu a 8 de Dezembro, com a estreia do filme "A Aventureira". A partir daí, teve as suas vicissitudes: foi palco de teatro de variedades, foi sede de companhia de teatro infantil, mas, durante a maior parte da sua vida, foi um cinema. Em 1984, estando então fechado devido à morte dos seus proprietários, a Associação Portuguesa de Realizadores de Filmes propõe este espaço para sua sede, mas tal intenção nunca veio a concretizar-se. Em 1994, reabre com espectáculos eróticos. Hoje, é a Sexilândia, com anúncio público na Inter...

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

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Faz hoje 65 anos que foi libertado o Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau. Esta data, que nos relembra um dos episódios mais ignóbeis da história da humanidade, foi aproveitada para a comemoração do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.  Houve algumas comemorações, embora, de um modo geral, a efeméride tenha passado despercebida. Podem algumas pessoas argumentar que os factos do Holocausto são já bem conhecidos e que não vale a pena andar sempre a falar da mesma coisa. Não concordo. O Holocausto Nazi foi a manifestação mais fria e desumana do desprezo pela vida humana. Foi um exemplo prático do ponto, sem retorno, a que pode chegar o ódio, o fanatismo e a intolerância. Acho que nunca é demais falar sobre isso, estudar e ensinar estes acontecimentos, reflectir sobre eles. Independentemente de quem foram os carrascos e de quem foram as vítimas, o fenómeno do Holocausto deve ser visto como um paradigma da violência do Estado sobre o indivíduo, da indiferença ...