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Férias, finalmente!

Finalmente, este ano de trabalho terminou e entro no período a que chamamos férias. Vão ser umas férias com trabalho, ou um trabalho de férias, como queiram, já que vou para Jerusalém fazer um curso. D urante aproximadamente um mês, vou andar mais afastada do blogue, mas vou andar por aí, como dizia o outro! Entretanto, deixo os meus amigos e visitantes com uma música que expressa bem a minha boa disposição do momento.

Porque você tem um blogue?

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Não quero ir de férias sem responder ao desafio da Vanessa, do blogue "Fio de Ariadne": Porque você tem um blogue? Esta questão fez-me pensar, voltar atrás, àquele momento das férias da Páscoa em que decidi pedir ao meu filho: "Ensina-me a criar um blogue!" "É fácil, mãe!" e lá me ensinou a procurar um modelo, a tratar o texto, a importar filmes e imagens... enfim, depois fui aprendendo sozinha. O que me levou a isso? A resposta impõe-se na minha cabeça: a total saturação do meu trabalho, a necessidade de evasão. Sou professora e este ano lectivo foi particularmente difícil para todos os professores. Grandes alterações na legislação, imposição de modelos de avaliação e gestão muito penalizadores para todos e, no meio, os alunos e nós todos cada vez com menos paciência para aquilo que é, verdadeiramente, a nossa missão. Participei em todas as lutas e manifestações mas, num dado momento, atingi a saturação. Não aguentava ouvir mais falar sempre das mesmas c...

As Cinzas de Angela

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Com 78 anos, Franck McCourt não resistiu mais a um cancro de pele de que sofria há anos e faleceu em Manhattan. Para muitas pessoas, é um nome com pouco significado. Não era um escritor que estivesse na moda, não publicava nada há algum tempo. Talvez por isso, a sua morte passou quase despercebida, nada de demonstrações públicas (ia dizer histéricas!) de pesar, como quando da morte de Michael Jackson, por exemplo. No entanto, a vida e a obra deste homem têm um valor muito particular, porque simbolizam uma época e um sonho. Franck McCourt é conhecido principalmente pelo seu romance As Cinzas de Angela. Romance assumidamente auto-biográfico, nele McCourt narra a sua infância miserável nos bairros pobres de Limerick, na Irlanda. Filho de emigrantes irlandeses nos Estados Unidos da América, a família vê-se obrigada a regressar à Irlanda nos anos 30, na época da Grande Depressão. Mas em Limerick, nos anos 30 e 40, a vida é muito difícil, com o peso da fome, da violência, da tuberculose, da ...

Há 40 anos, o Homem na Lua

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Lembro-me bem. Eu e a minha irmã, pasmadas, de olhos pregados na televisão. No pequeno ecrã preto e branco passavam imagens estranhas, que pareciam saídas de um filme fantástico. A minha tia-avó mais nova dizia: “Se eu alguma vez imaginei ver isto!” E a minha tia-avó mais velha resmungava: “Isto é tudo mentira, como é que o Homem pode ir à Lua?” E nós as duas, de olhos pregados na televisão. Nós e mais uns quantos milhões de pessoas à volta do mundo. Faz hoje 40 anos que o Homem pisou a Lua pela primeira vez. E, numa época de confrontos e guerra fria, só a China escolheu ignorar totalmente o acontecimento. A quase totalidade dos países do mundo seguiu com entusiasmo e assombro o feito pioneiro dos astronautas americanos. A própria União Soviética, rival dos americanos na corrida ao espaço, faz grandes reportagens consagradas à missão Apollo e Podgorny, presidente do Soviete Supremo, presta homenagem aos três astronautas. O lançamento da nave Apollo 11 tinha atraído milhares de pess...

A beleza das placas toponímicas

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Confesso: tenho uma paixão secreta por placas toponímicas! Há quem considere que uma placa toponímica é uma coisa sem importância, que apenas dá um nome a uma coisa, neste caso uma rua, ou um beco, ou um largo, um sítio na cidade. Dá jeito para os carteiros e pouco mais. Até podiam ser apenas números, como em Nova York. Nada mais errado. As placas toponímicas dizem muito sobre a evolução do local e sobre quem lá vive. Vou dar alguns exemplos. Há placas que valem apenas pela sua beleza e contam coisas sobre o gosto de quem as fez. (Alcochete) Algumas fazem referência a serviços que já ali não existem. (Alcochete) Outras recordam pessoas que já ninguém consegue identificar. (Alcochete) Há algumas que, na sua evolução, reflectem a evolução política do próprio país. (Tomar) Outras reflectem uma ideia de progresso, que deve ser expressa na seriedade dos nomes. (Tomar) Há placas que de sérias não têm nada, e ninguém sabe de onde vêm aqueles nomes! (Lisboa - Alfama) E há aquelas que, no própr...

Cinco momentos para passar em câmara lenta

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Há uma semana atrás, a Marta (do blogue havidaemmarta.blogspot.com) desafiou-me a pensar em cinco momentos da minha vida dignos de serem passados em câmara lenta. Eu aceitei o desafio e tenho andado a pensar em todos esses momentos (e em quais poderia registar publicamente!). Então, aí vão: O dia em que o meu filho nasceu. Depois de tanto tempo a tentar e a falhar, finalmente tinha o meu filho nos braços. Foi o dia mais feliz da minha vida. O momento em que colocaram a minha filha recém-nascida sobre o meu peito e, ao olhá-la, tive um ataque de amor e protecção leonina que durará para sempre. A primeira viagem de que me recordo. Tinha seis anos e viajava pelas ilhas dos Açores. Ao chegar ao Corvo, o barquinho em que vinhamos a terra atravessou um mar vermelho do sangue da baleia acabada de apanhar e as pessoas, sérias e de fato domingueiro, esperavam as notícias do vapor. As impressões dessa viagem marcaram para sempre a minha alma andarilha. A primeira vez que ouvi a frase "Gosto...

Comunicação

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Este post integra-se na blogagem colectiva da Tertúlia Virtual - 1.º aniversário: um ano, um fim. Desta vez o tema é livre e eu aproveito para demonstrar o valor da Tertúlia para a espécie humana. Parque das Nações, duas horas da tarde. Como tantas vezes acontece, aproveito um tempinho livre para passear um pouco ao longo do rio. Sento-me no meu recanto preferido, perto do Lago das Tágides, debaixo de uma grande buganvília carregada de flores de um rosa vivo. Está uma rapariga sentada num banco ao lado do meu. Parece nervosa, fala ao telemóvel (foi o que me chamou a atenção, ela parece estar alheada do mundo, sem se preocupar se alguém ouve a sua conversa, o que é completamente comum hoje em dia! – somos constantemente bombardeados pelas conversas de toda a gente). Deve falar com uma amiga, diz que “ele é insensível, podia ter vindo comigo, em vez disso estou aqui sozinha!” Depois de desligar, volta a pegar no telemóvel vezes sem conta, olha, mexe nas teclas, abre e fecha a tampa, de...