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A Humanidade não é uma ilha

Agradeço ao Nuno o envio deste pequeno filme. Acho-o tão bem feito e com um significado tão profundo que me apetece partilhar. Vale a pena ver!

Aldeias de Xisto - III

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À saída de Janeiro de Cima, resolvemos rumar a norte, na direcção da Serra do Açor. A paisagem vai-se desdobrando, deslumbrante. O tempo ajuda, com um sol radioso a iluminar a serra. Os pinheiros alternam com os soutos de castanheiros. Há poucos vestígios de ocupação humana: aqui uma casa, acolá um barquito, numa das margens do rio Ceira. Por vezes, a estrada é escavada na serra e sobram inúmeros pedaços de xisto, que se amontoam nas bermas. O meu marido está fascinado por eles e vai-os olhando e escolhendo; dentro de pouco tempo, as pedras vão acumular-se no porta-bagagens, enchendo-o de pó, à espera do momento em que, já em casa, se vão transformar num candeeiro, num tampo de mesa… Chegar à aldeia de Piodão é apreciar um postal ilustrado. As casas dispõem-se harmoniosamente na encosta, como um presépio. Agora está sol, mas com neve deve ser uma paisagem ainda mais encantadora. Aqui, o turismo já marca presença. Logo à entrada, há um museu, o Museu do Piodão, que domina a pequena pr...

Postal de Lisboa

Já visitei várias capitais, grandes cidades do mundo, mas, para mim, nenhuma se compara a Lisboa. Nasci na Maternidade Alfredo da Costa, já lá vão uns anitos, cresci entre a Penha de França e Benfica. Lisboa é a minha cidade. Consigo ver o que tem de belo e o que tem de podre. Mas eu não acredito em mundos ideais, homens novos, sítios perfeitos. Lisboa é como cada um de nós, com as suas grandezas e as suas misérias. Gosto de entrar em Lisboa a partir da margem sul: chegar por uma das pontes que cruzam o rio Tejo, por exemplo. Mas como gosto mais de entrar em Lisboa é de barco. Atravessar o Tejo num dos barcos que saem do Barreiro ou do Seixalinho, no Montijo, é uma experiência muito mais rica. A cidade desfila vagarosamente defronte de nós. Primeiro a zona oriental, com o Parque das Nações e a sua afirmação de modernidade. Depois, a zona das docas, com os navios de carga e de cruzeiro lembrando outros caminhos e outras viagens. Mais acima, os prédios de Chelas e as Amoreiras. Encont...

Última Página

Resolvi fazer uma homenagem extra ao 25 de Abril, através daquilo que nos deixou de verdadeiramente perene: os poemas. Escolhi um poema de Manuel Alegre que é, indubitavelmente, quer se goste das suas posições políticas ou não, um dos nossos grandes poetas. Última Página   Vou deixar este livro. Adeus. Aqui morei nas ruas infinitas. Adeus meu bairro página branca onde morri onde nasci algumas vezes.   Adeus palavras comboios adeus navio. De ti povo não me despeço. Vou contigo. Adeus meu bairro versos ventos.   Não voltarei a Nambuangongo onde tu meu amor não viste nada. Adeus camaradas dos campos de batalha. Parto sem ti Pedro Soldado.   Tu Rapariga do País de Abril tu vens comigo. Não te esqueças da primavera. Vamos soltar a primavera no País de Abril.   Livro: meu suor meu sangue aqui te deixo no cimo da pátria Meto a viola debaixo do braço e viro a página. Adeus.                                      Manuel Alegre

25 de Abril

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Numas célebres entrevistas que fazia num programa de televisão, António Alçada Baptista tinha por hábito questionar os seus convidados sobre o que estavam a fazer no dia 25 de Abril de 1974. Hoje, dei por mim a relembrar exactamente o que fiz nesse dia. Lembro-me que acordei às 7 horas da manhã, como de costume, para ir para a escola. Mas a minha mãe estava nervosa, tinha ligado a rádio e só se ouviam marchas militares. De vez em quando, um locutor interrompia a música para ler comunicados à população: ”Comunicado do Movimento das Forças Armadas…”Percebeu-se que havia uma revolta em marcha e, como os militares aconselhavam a população a ficar em casa, foi o que fizemos. Ficámos agarrados ao rádio, tentando perceber o desenvolvimento da situação. A minha mãe, de vez em quando, ía à janela e só me lembro dela a comentar: “Os autocarros vão vazios! Não há ninguém nas ruas!” Há pouco mais de um mês tinha havido outra tentativa de revolução, a 16 de Março, que não tinha vingado. Nada gara...

Ainda A Princesinha

Depois de ter escrito o post sobre "A Princesinha", resolvi procurar na net pelo nome da autora. Para minha grande surpresa, Frances Burnett não está esquecida, pelo contrário, é estudada na Universidade, em Inglaterra, há teses de mestrado sobre ela e, surpresa das surpresas, o livro da minha infância até tem um clube de fãs! Parece que não fui só eu a entregar o meu coração infantil às desventuras da pobre Sara Crewe. Foi muito agradável reler excertos e ler os comentários ao livro, que me reavivaram a memória. Voltei a emocionar-me com episódios que já tinha esquecido, e com a coragem, a inteligência e a criatividade com que Sara dá a volta aos seus problemas, às injustiças, às humilhações. Só assim se pode continuar sempre a ser "A little princess".

Aldeias de Xisto - II

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Continuamos o nosso passeio pela serra da Lousã, desta vez em direcção à aldeia de Talasnal. Passámos por uma aldeia hippie, como lhe chamam por estes lados, onde se junta um grupo de pessoas que, tal como as aldeias da zona, não conseguiu adaptar-se à modernidade. Um pouco mais à frente pela estrada de terra batida, aparece o Talasnal. Quase não se dá pela aldeia; da estrada parte uma escada que desce o monte e à volta da qual se organizam talvez uma dezena de casas. A paisagem é linda, já há bastantes casas recuperadas e, por isso, já há mais gente a passear por ali. Vamos andando. Uma das casas tem a porta aberta, espreitamos e a dona convida-nos a entrar. É a Ti Lena, que dirige o único restaurante da zona. É tradicional e acolhedor, cheio de pormenores engraçados. Bebemos uma cervejinha fresca, damos dois dedos de conversa e continuamos o nosso caminho, com vontade de lá voltar. A estadia está marcada num turismo rural em Janeiro de Cima, outra das aldeias de xisto. Chegamos a...