segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Ministros e cantoneiros

Realmente, há coisas que nos deixam a pensar!...
A revista inglesa The Economist resolveu, em 1984, fazer uma sondagem com previsões económicas para a década seguinte. Sondou grupos de pessoas, divididos por classes profissionais, entre os quais se encontravam  ministros, gestores de multinacionais, estudantes universitários e... cantoneiros da limpeza urbana. Dez anos depois, chegou à conclusão de que os que mais se tinham aproximado dos resultados corretos tinham sido os gestores e os cantoneiros. 
Agora vão repetir a experiência. Consta que o Presidente dos Estados Unidos da América já anda aflito,  porque os cantoneiros prevêm que Obama não será reeleito.
Mas o que me ocorre pensar é que os ministros andam decididamente muito mais afastados da realidade do que as pessoas comuns!

sábado, 21 de janeiro de 2012

A Música anda por aí!

Graças a uma colaboração entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a música anda por aí, por Lisboa, ouve-se nos bairros, encontra-se nos museus, espera-nos nos Palácios, até nos surpreende nos Paços do Concelho. Durante todo este mês há concertos dos solistas da Orquestra. Consegui assistir a dois. Um concerto dos instrumentos de sopro, em Benfica, e outro de cordas e flauta, no Museu do Oriente. O primeiro trouxe Vivaldi, Rossini, Gounod. O segundo foi um mergulho no génio de Mozart. Nos dois casos, os concertos foram comentados pelo musicólogo Rui Campos Leitão. No seu estilo descontraído, apresentou os instrumentos, contou pormenores da vida dos compositores e do contexto social, chamou a nossa atenção para aspetos da execução musical e das peças que, de outra forma, talvez nos passassem despercebidos. Enfim, fez-me lembrar uns concertos que eram transmitidos na televisão quando eu era pequenita, comentados por um maestro que tornava tudo tão fascinante que eu o acuso, sinceramente, de ter sido um dos responsáveis pelo meu gosto pela música.


A música anda por aí. Gratuitamente. O que me parece outra excelente proposta para ocupar os nossos fins de tarde neste inverno de crise.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A igreja mais antiga de Portugal

A lápide lá está a atestar a data da edificação: 912. O que significa que esta igreja perfaz este ano 1100 anos e,  ao olharmos as pedras e os arcos que a compõem, vemos mais do que pedras e arcos. Vemos testemunhas de correrias de cristãos e mouros que, à época, ainda antes da formação de Portugal, disputavam estes territórios. Vemos uma demonstração de religiosidade sentida e que necessita de se afirmar, numa zona recém-conquistada aos infiéis. Vislumbramos uma época de recursos escassos e soluções tecnológicas ingénuas. Mas conseguimos adivinhar também uma época de trocas económicas e culturais, visível nas influências diversas e bem heterogéneas desta pequena igreja.
Falo da Igreja de São Pedro de Lourosa, situada no concelho de Oliveira do Hospital. Podia acrescentar aqui imensos pormenores arquitetónicos e artísticos, mas o propósito deste blogue não é científico, por isso não me vou alargar em considerações que podem ser encontradas aqui ou aqui. Deixo este desafio para um passeio, neste ano de crise em que, provavelmente, todos temos limites mais apertados para as nossas opções de férias ou fins de semana. Neste domingo, celebra-se a missa que dá início às comemorações jubilares da igreja. Mas, se não pudermos lá ir no domingo, parece-me um excelente destino para um passeio na primavera que já se avizinha. Eu vou de certeza!


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Ano do Dragão

Para os Chineses, começa durante este mês (mais precisamente lá para dia 23) o ano do Dragão. É um signo poderoso, ligado a coisas positivas. Segundo parece, é um bom ano para casar - esqueçam essa história de ser bissexto! Também é um bom ano para ter filhos, iniciar negócios, pedir empréstimos para lançar projetos. Tudo dará certo, porque o Dragão protege os corajosos e audazes. E este é um Dragão de Água, propiciador da felicidade.
Que refrescante saber de uma previsão para este ano que não inclui as palavras "crise", "austeridade", "cortes", ou mesmo "fim do mundo"! Ou será que as boas notícias funcionam só para a China?


sábado, 14 de janeiro de 2012

Postal de Lisboa XVIII – Árvores de Interesse Público


Quantas vezes caminhamos por Lisboa, tão apressados que nem nos damos tempo para apreciar o que está à nossa volta! Mal olhamos para os prédios, as pessoas, os nossos sentidos concentrados no trânsito, ou no trabalho que nos espera nesse dia. E, no entanto, quantas coisas interessantes esta cidade tem para mostrar! Por exemplo, as árvores. Como eu ando sempre de nariz no ar, dá-me para reparar nas árvores de Lisboa. Felizmente ainda não inundámos a cidade de palmeiras, na tentativa de a transformar numa espécie de cidade californiana ou caribenha. Mas o clima é propício e muitas árvores do mundo imenso que explorámos foram trazidas para Lisboa e aqui se desenvolveram bem. Às vezes, até nos acolhemos à sombra destas belas árvores, nas tardes soalheiras, sem nos apercebermos do valor do património que nos protege das inclemências do sol.
Algumas dessas árvores têm tanto valor que foram declaradas Árvores de Interesse Público. As razões podem variar. Podem ser árvores muito antigas (há algumas do tempo dos Descobrimentos, até da fundação de Portugal). Podem ser árvores de espécies raras, ou então de formas tão harmoniosas ou tão bizarras que merecem preservação.

(Cipreste do Buçaco, no Jardim França Borges, no Príncipe Real)
A maioria destas árvores está situada em parques e jardins da capital. No entanto, algumas encontram-se isoladas, no meio dos passeios, nas ruas, à mercê da poluição, e até do vandalismo de quem nada sabe e nada quer preservar. Uma das minhas preferidas é um belíssimo lodão-bastardo (nome científico Celtis australis L.), que se ergue indiferente aos automóveis no centro da Avenida de Berlim. 
(Lodão-bastardo, na Avenida de Berlim)
Outra, junto à Sé de Lisboa, no Largo do Limoeiro, é uma Bela-Sombra (nome científico Phytolacca dioica L); o próprio nome aponta a sua função predileta. Enorme, cheia de espaços no tronco onde apetece esconder e brincar, estende-se pelo passeio, obriga-nos a rodeá-la, mas se calhar não a cuidar dela como merecia.
(Bela-Sombra, no Largo do Limoeiro à Sé)
Das mais de 600.000 árvores que existem em Lisboa, foram classificadas como Árvores de Interesse Público 19 povoamentos (conjuntos arbóreos) e 65 árvores isoladas. A Câmara Municipal de Lisboa está a organizar circuitos para dar a conhecer esta parte do património da cidade, o que me parece uma excelente ideia.
Mas elas já aí estão, para nosso deleite. Altas e orgulhosas, de formas estranhas, frondosas e convidativas, ou antigas e decrépitas. De interesse público.
(Fotografias tiradas do site da Autoridade Florestal Nacional, Árvores Monumentais de Portugal)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Não sou Maçon!

Numa altura em que só se fala da Maçonaria e os seus membros parecem sair de baixo de cada pedra como cogumelos em tempo de chuva, tenho de fazer uma declaração: não sou Maçon! É que parece que já vamos sendo poucos! E confesso que me faz alguma impressão esta pujança de uma sociedade secreta numa sociedade que se diz livre e pautada pelos mesmos valores que a Maçonaria defende e ajudou a implantar, desde os tempos das Revoluções Liberais e republicanas. A não ser que as elites que declara recrutar tenham vergonha de ir aos Centros de Emprego da sua zona de residência e exibam este avental, em vez de um curriculum-vitae. Não sei, que eu não sou de intrigas, ao contrário de certas sociedades secretas!...
De qualquer forma, não resisto a partilhar este texto de António Marques, publicado hoje no Inimigo Público:

Portugueses percebem que Maçonaria serve para subir na vida e 700 mil desempregados deixam de fazer fila no Centro de Emprego e fazem fila na Loja Mozart

Bem dizia o grande Eça de Queiroz que Portugal é uma choldra. E não é que a secretíssima Maçonaria virou tema de conversa nos cafés, entre minis e tremoços, como se fosse o Benfica, sendo os membros da Maçonaria já tão conhecidos como Aimar, Saviola e Cardozo!
Todos os dias, surgem na TV e nos jornais, políticos e empresários com ar embaraçado, negando serem maçons e jurando a pés juntos nunca terem estado numa reunião maçónica. Porra, que exagero, até parece que são acusados de violar putos da Casa Pia na casa de Elvas! E os que se assumem maçons dizem que as reuniões se limitam ao convívio entre membros, como se a Loja Mozart fosse uma espécie de Alunos de Apolo.
É que há coisas sobre as coisas mais vale dar uma boa gargalhada!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Fumar? Onde?

Hoje, segundo parece, saiu a público outro estudo sobre o tabagismo que indica claramente que fumar à entrada dos estabelecimentos afeta também o ambiente no interior. Imediatamente se ouviram as vozes usuais, clamando pela proibição total do fumo ou, pelo contrário, clamando contra os fundamentalismos anti-tabágicos. Não tenho nenhuma solução mágica. Mas tenho observado algumas coisas que gostava de partilhar.
Mas primeiro uma declaração de interesses (agora está na moda esta expressão!):
Não fumo, mas não sou fundamentalista em relação ao tabaco. Fumei durante muito tempo, desde os quinze anos. Depois, quando engravidei do meu primeiro filho, deixei de fumar. E continuei a fumar e a deixar de fumar regularmente, até que deixei de vez. Não foi propriamente por medo dos efeitos do tabaco, mas porque com os filhos pequenos não tinha as mãos livres o tempo suficiente para pegar num cigarro! Hoje, se me apetece fumar um cigarrinho não me impeço de o fazer, o que acontece uma ou duas vezes por ano, depois de uma jantarada com amigos!
Devo acrescentar também que acredito nas liberdades individuais, até de fazer coisas estúpidas e que nos prejudicam. Já me incomoda mais que os meus impostos sejam utilizados para tratar as consequências desses atos prejudiciais livremente assumidos.
Lembro-me de, durante muito tempo, se fumar livremente nas salas dos professores. Porque efetivamente incomodava e prejudicava quem não tinha culpa nenhuma e não era fumador, essa situação foi proibida e foram criadas salas para fumadores. Na minha escola, havia uma sala anexa à sala dos professores para onde iam os fumadores. Era pequena, e eles queixavam-se de que o ambiente ficava toldado de nuvens de fumo e pesado, mesmo com as janelas abertas. Mas a escolha era deles, certo? Havia também uma saleta para os funcionários fumadores. Os alunos não podiam fumar no recinto escolar, o que não me parece mal, embora sempre houvesse alguns mais rebeldes que se escondiam a fumar atrás dos pavilhões. Tal como no nosso tempo de escola, não é?
Entretanto, há alguns anos, surgiu a proibição total de fumar dentro do espaço escolar. Fecharam as saletas dos fumadores, mas eles não deixaram de fumar, evidentemente. Então, tal como aconteceu em todo o lado, os fumadores vieram para a rua fumar. Hoje, em todos os intervalos, há grupos de professores e funcionários a fumar à porta da escola. Alunos também, claro, e cada vez são mais, ou não tivessem ali à vista o exemplo do comportamento adulto, que eles gostam de imitar embora nunca o admitam. Às vezes, são mesmo os seus professores preferidos que ali estão, figuras de referência para miúdos que tantas vezes não as encontram em casa. O espaço à volta das árvores está repleto de beatas. Um caixote do lixo, pendurado num candeeiro a dois ou três metros do portão principal da escola, foi transformado num enorme cinzeiro; a tampa é utilizada para para apagar os cigarros, que por ali ficam, a enfeitar a rua. 
Que espetáculo deplorável! Não vale a pena chamar a atenção para estes comportamentos. Depois de um olhar surpreendido, viria a conversa do costume: "Qual é o problema? A rua é livre, aqui faço o que me apetece!" Claro, sem dúvida! Mas isto deixa-me a pensar. Afinal, os fundamentalismos nem sempre têm os resultados esperados.