Hoje fui a uma loja especializada na venda de produtos feitos de chocolate, para comprar moedas de chocolate. À saída, vi numa caixa uns pacotinhos que se pareciam mesmo com maços de tabaco. E perguntei à vendedora: "São cigarros de chocolate?" A rapariga, muito simpática, explicou-me que não, que já não havia esse produto há cerca de dois anos, que inclusivamente podiam pagar multa se fizessem e comercializassem produtos com o feitio de cigarros, charutos ou qualquer coisas que fosse fumável. Para evitar o quê? O vício? Trocámos ali umas opiniões, saltaram logo as recordações, juntaram-se mais duas pessoas. Todos tinhamos consumido furiosamente cigarros de chocolate na infância. "Lembro-me de os comprar na taberna lá da terra, o meu pai dava-me umas moeditas..." . "Eu até coleccionava os pacotinhos com as marcas!" Afinal, nenhum de nós fumava, pelo que o efeito pernicioso dos cigarrinhos de chocolate não tinha tido efeito em nenhum de nós! A vendedora até mostrou o artigo da Lei do Tabaco (Artigo 17.º) que proíbe estes produtos. Mas então, esperem lá, é proíbido vender cigarros de chocolate, mas os cigarros a sério são vendidos à vontade, não são? Sim, aqueles que têm nicotina, e alcatrão, e mais uns 400 produtos químicos, muitos deles altamente viciantes e cancerígenos. Tem muita lógica, não há dúvida, os cigarritos de chocolate são incomparavelmente mais perigosos.
Temo pelos outros produtos de chocolate. Quem sabe se o consumo de moedas de chocolate não nos torna gastadores compulsivos? Ou as sombrinhas de chocolate, será que nos vão tirar o prazer de andar à chuva? E os carrinhos, meu Deus, os carrinhos de chocolate parecem-me tão perigosos! Podem tornar-nos condutores irresponsáveis, não é?
Enfim, o melhor é comer uma tablete de chocolate ou um bombom. Desde que não seja um Bacci ou um Mon Cheri, que me pode tornar irremediavelmente ninfomaníaca!


