Como toda a gente sabe, foram finalmente terminadas as obras de restauro da belíssima Igreja de São Vicente de Fora. É uma igreja muito ligada à minha família, por diversas razões, e fiquei feliz com a sua reabertura ao público.
E, no entanto... houve uma notícia que, positivamente, me esmagou. Durante as obras de limpeza, foram removidas dos telhados da Igreja de São Vicente de Fora, nada mais nada menos do que quarenta toneladas de excrementos de pombo. 40 toneladas!
De repente, assaltou-me a imagem das nossas cidades cobertas de excrementos de pombo. Os nossos edifícios coroados de fezes, as nossas estátuas manchadas de descargas intestinais. Lembrei-me de uma entrevista que li, há tempos atrás, com um vereador brasileiro de Curitiba que enumerava as doenças eventualmente transmitidas pelos nossos amigos pombos, com os quais eu até simpatizo, e que iam da salmonelose à ornitose, passando pela transmissão dos piolhos de pombos, ácaros que vivem nos seus corpinhos penugentos. Afirmava ainda o dito vereador que as fezes dos pombos, contaminadas por fungos e bactérias, podem causar doenças respiratórias e afectar o nosso sistema nervoso central.
Quantas toneladas de excrementos de pombo estarão espalhadas sobre os telhados das nossas cidades? Será que o nosso sistema nervoso central foi afectado? Poderá ser esta uma explicação para a apatia cívica que por aí encontramos?
Será por isso que a nossa Ministra do Ambiente se chama Pássaro?



