E pronto, é quase Natal outra vez.
Depois de um ano que passou a correr, regressaram as árvores cheias de bolas coloridas, as milhentas luzinhas dos enfeites de Natal, a correria das prendas. A certo ponto, começamos a ser assaltados pela ansiedade: será que vai haver tempo para comprar tudo o que é preciso? será que acabamos por nos esquecer de alguém? As pessoas atropelam-se e acotovelam-se nos centros comerciais, os estacionamentos estão todos congestionados. Nas lojas, não se dá pela crise. Parece que só existe nos telejornais. Ou então, vai chegar mesmo aos nossos bolsos no início do próximo ano e andamos todos a ver se nos esquecemos das má notícias.
Quem me conhece, já sabe que eu não sou uma grande entusiasta do Natal. Gosto de amimar os que amo durante o ano inteiro, e não apenas nesta época. Tento lembrar-me dos meus amigos regularmente, com uma mensagem risonha ou um telefonema carinhoso. Não gosto de dar prendas por obrigação. Passeio pelas ruas iluminadas e não vejo nenhuma referência ao espírito de partilha e de verdadeira entrega aos outros que me parece ser a mensagem profunda desta Festa.
Recordo com alguma nostalgia os Natais simples da minha infância. Não havia muito dinheiro, não havia ostentação nem amontoados de prendas. Havia muito carinho, o bacalhau reunia todos à mesa, durante a Consoada a minha mãe fazia os sonhos ou fritava as filhós. Eu esperava pela abertura das prendas, para ver se recebia os livros que tinha pedido ao Menino Jesus. Sim, porque na minha infância ainda era o Menino Jesus que trazia as prendas, não tinha ainda sido substituído pelo Pai Natal. Hoje, as luzes ofuscam-nos, as canções de Natal repetidas até à exaustão ensurdecem-nos, a compra das prendas esgota-nos as energias e as carteiras.
Na rádio, passam e repassam as mesmas canções, que parecem saídas de algum American Christmas Song Book. Talvez por isso, apeteceu-me partilhar aqui uma canção de Natal, bem portuguesa, que radica nas nossas tradições e nos nossos cantares. E aproveito para desejar a todos os que por aqui passarem, propositadamente ou por acaso, um Natal tranquilo, partilhado, verdadeiramente luminoso!




