domingo, 16 de outubro de 2016

Uma caldeirada na Trafaria



Um destes dias, convidaram-me para ir até à Trafaria, comer uma caldeirada. É um daqueles convites que são irrecusáveis... Aproveitar os últimos dias de sol... Cruzar o Tejo num ferryboat dos antigos, um cacilheiro a sério, amarelo, onde ainda podemos apoiar-nos na amurada, a sentir o vento e as ondas do rio... Saborear um peixinho fresco, cozinhado das formas mais tradicionais... Que bom programa!
Há muitos anos que não ía à Trafaria e estava com curiosidade em ver como estava aquela pequena vila, fronteira a Lisboa. Parecia-me talhada para ser um ponto de referência turística: a vinte minutos da capital, com saída da estação fluvial de Belém e cruzando o Tejo num passeio muitíssimo agradável! Os seus restaurantes são conhecidos, os pratos são recomendados. Esperava ver uma vila mimosa, cheia de esplanadas, com restaurantes de decoração marítima e tradicional, com jardins e passeios cuidados até ao porto fluvial.
Infelizmente, enganei-me. Encontrei uma aldeia de subúrbio, com um ar abandonado e desengraçado. Em algumas paredes, a decoração era feita com grafitis e palavras de ordem do PCP e do Bloco de Esquerda. Não  havia flores nem passeios cuidados. Detetava-se um ambiente geral de falta de brio e de ambição. Esplanadas, poucas: meia dúzia de mesas, desalinhadas. Os restaurantes estavam cheios, alguns com fila de espera à porta. A decoração dos interiores, em geral, era pobre e sem graça. Os empregados, poucos, vestidos de forma descuidada, sem qualquer noção de serviço de mesa. Os preços não são tão baixos que não suportem, pelo menos, uma toalha de mesa aos quadrados...
Salvou-se a caldeirada, que estava magnífica!