terça-feira, 27 de outubro de 2015

Vamos outonear?

E pronto, o outono chegou e instalou-se de vez. O frio ainda não aperta, mas vai chovendo e os dias são cada vez mais curtos. Não sou fã desta estação do ano, a diminuição da luz diária tem um efeito direto na minha disposição. Apetecia-me hibernar, como alguns bichinhos. E sei que este efeito é muito mais comum do que se pensa...
Mas temos de reagir e... outonear! Encontrei esta palavra e resolvi adotá-la. Outonear, igual a ter atividades que tornem o outono mais agradável! Assim, de repente, lembrei-me de várias hipóteses!
O outono é uma época excelente para passear à beira-mar, por exemplo. Há muito menos gente, entre turistas e banhistas, e podemos ter o mar e a maresia só para nós.
Os serões são agora mais longos. Porque não recuperar um antigo prazer, pegar numas lãs coloridas e tricotar uma manta para as noites mais frias? Ou uma camisola para o sobrinho mais recente? Ou umas botinhas para o que vai nascer?
Enfim, há aquelas tardes de domingo, chuvosas, em que só apetece ficar em casa. Para essas ocasiões, fica uma proposta mais exigente: fazer umas tigelas de marmelada. Outubro é o mês dos marmelos e a marmelada é um dos sabores da nossa infância. E não é difícil de fazer... Aqui fica uma receita!
Um bolo de chocolate também me parece uma boa ideia. Ou, simplesmente, umas castanhas assadas, um dos prazeres da época. Sim, podemos perdoar-nos estes pecadilhos. Afinal, o verão ainda vem tão longe! Agora é o tempo de outonear!



Hai-Kai de Outono

Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?
                                                              Mario Quintana


sábado, 24 de outubro de 2015

Quem matou as princesas da minha infância?



Eram todas lindas e inocentes. Loiras ou morenas, europeias, índias ou cheias de encanto oriental, sofriam os mais horríveis tormentos, eram abandonadas, maltratadas, humilhadas, sempre sem um pensamento de vingança. No final, a sua bondade, beleza e inocência acabavam por levar a melhor sobre a maldade do mundo que as rodeava. Encontravam um principe, ou um sapo charmoso, e viviam felizes para o resto da vida. E nós também iamos felizes para a cama. Eram as princesas da Disney.
A Branca de Neve e a Cinderela, a Mulan e a Pocahontas. Acompanharam a infância e os sonhos de gerações de meninas, desde a minha mãe à munha filha. As princesas da Disney eram as nossas heroínas e os nossos modelos.
Descobri há pouco tempo que um artista plástico decidiu pegar nessas fantásticas princesas da nossa infância e transformá-las em personagens eróticas. Eu sei, eu sei: há fetiches de todo o estilo e feitio e isto já não é novidade. Mas, até agora, não era arte. E eu senti-me verdadeiramente ultrajada por esta nova abordagem.
As princesas da Disney representavam o que havia de mais puro e inocente. Não gostei nada de ver a Branca de Neve de cuequinhas provocantes ou a Pocahontas em roupa interior insinuante. Senti-me chocada, como se a minha própria infância tivesse sido conspurcada.
A nossa sociedade e a nossa cultura são altamente sexuadas e o sexo, explícito ou implícito, está em todo o lado. Vivemos bem com isso, já estamos todos habituados. Mas algumas coisas podem ficar de fora, não? Para quê matar as princesas da minha infância?