segunda-feira, 3 de março de 2014

O folião

Não, não se trata de um novo elemento constituinte da matéria, agora descoberto! É uma especificidade portuguesa, talvez importada do Brasil, muito além do ião, do eletrão, ou mesmo do pelintrão!
Quando chega a época das festas do Carnaval, surge em Portugal um novo grupo de pessoas: os foliões. São-nos trazidos pelo zelo noticioso das televisões, que não reconhecem este grupo nem (que eu me tenha apercebido) utilizam este adjetivo em qualquer outra altura do ano. É assim que ficamos a conhecer os desejos e sentimentos deste subgrupo da raça lusitana. 
Os repórteres falam dos foliões como se fossem um grupo à parte, distinto dos restantes portugueses. Ficamos assim a saber que os foliões entraram nos recintos de festas ou desfilaram risonhos, apesar da chuva, ou qualquer outra coisa. O termo é tão extensivamente utilizado, que podemos ficar com a ideia de que este grupo específico, que só emerge nesta época, qual ave em migração, tem um código de conduta especial. Qualquer coisa do tipo "Chuva civil não molha folião!"
Imaginamos os restantes portugueses aborrecidos com a vida, ou o desemprego, ou os impostos, enjoados da chuva, saturados do inverno. Mas eis que surge o folião! Despreocupado e feliz, só quer brincar, rir e dançar como se não houvesse amanhã! 
Antes assim! Os portugueses agradecem um pouco mais de folia ao longo de todo o ano. Mas parem de lhes dar um nome diferente, como se fossem umas aves raras. Foliões somos nós todos! Quando calha! Ou quando podemos! Ou quando nos esquecemos do resto!

(Imagem do Carnaval de Loulé 2013)