terça-feira, 31 de julho de 2012

Música ao Largo

Este ano não há férias fora de casa. Estive uns dias fora em maio, talvez vá dar mais uma voltinha, lá para o fim do mês de Agosto... Sem subsídio de férias, no entanto, as férias conntrairam-se. Mas nem por isso fico encerrada em casa, a carpir. Não faz o meu estilo. E, felizmente, Lisboa tem muita coisa interessante para oferecer.

(O Largo de São Carlos espera pelos músicos)

Neste fim de semana terminou mais uma temporada de espectáculos musicais no Largo de São Carlos. Durante o mês de julho, as noites no Largo foram animadas por concertos, árias de ópera e bailados. Tudo gratuitamente, isto é, financiado pelos mecenas e parceiros do Teatro de São Carlos e da Companhia Nacional de Bailado. O público agradece e desmente aquele mito de não haver interesse por espectáculos mais exigentes em termos culturais. O que não há é outra coisa, aquela com que se compram os amendoins e os melões que refrescam a época. Pelo contrário, as pessoas afluem ao largo, às vezes com horas de antecedência, para garantirem os lugares. E enchem o largo, centenas e centenas de pessoas, de todas as idades, noite após noite, após noite. Esperam pacientemente e depois assistem, num silêncio religioso, aos belíssimos espectáculos que Jorge Rodrigues apresenta. Creio que a apresentação de Jorge Rodrigues é um dos pontos positivos destes eventos. Ele apresenta os compositores, as peças, os executantes, sempre de uma forma informal, descontraída, correta mas muito simpática.


(Carmen pela Compañia Antonio Gadès)

Só consegui assistir a três espectáculos. Mas valeram bem a pena! Saí com a alma leve e um sorriso nos lábios. Às vezes, a trautear uma ária mais conhecida ou a comentar uma música que desconhecia. Mas sempre a concluir que valeu a pena!

(Turandot, de Busoni, interpretado pela Orquestra Sinfónica e pelo Coro do Teatro de São Carlos)

Só eu sei... porque não gostaria de viver noutra cidade!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Uma espécie de homenagem

Como os meus amigos me têm vindo a recordar, esta pausa já vai longa. Maior do que eu previa. Mas muitas coisas aconteceram, umas boas outras más, como sempre na vida. E o excesso de emoções, por vezes, tolhe-nos a ação. 
Uma das coisas marcantes que aconteceu neste período foi a morte de uma amiga querida, da minha idade. Não aguentou mais o sofrimento de uma doença terrível e debilitante. Na missa de corpo presente, no dia do funeral, o padre disse algumas palavras que me emocionaram e marcaram. Após as orações rituais, normais, abordou o tema do luto. Aconselhou a que, alguns dias depois da morte de alguém que nos é querido, nos recolhessemos e pensássemos nessa pessoa, escolhendo uma sua característica que considerássemos positiva. Não muitas, por muito boa que essa pessoa fosse, mas apenas uma. E que tentassemos seguir, continuar, o que selecionámos como um traço ou uma atitude positiva. Achei uma ideia bonita. Pensei na alegria, quase fúria de viver, daquela minha amiga,  que foi uma lição de força e de perseverança. Há que continuar sempre. E valorizar tudo o que a vida nos traz de bom, mesmo que pareçam migalhas. As migalhas de uns são os pães de outros.
Quero que este post seja uma espécie de homenagem, não só a ela, mas a todos os que lutam diariamente e se apagam das nossas vidas, mas ficam sempre nos nossos corações.